BRASIL

Como quatro espaços comunitários viraram bibliotecas em Camaçari

Projeto Caixinha de Emoções aproveitou espaços que já atendiam famílias e somou mobiliário, acervo e contação de histórias

Projeto Caixinha de Emoções aproveitou espaços que já atendiam famílias e somou mobiliário, acervo e contação de histórias

O projeto “Caixinha de Emoções – Ka aguasu Atyha” instalou quatro bibliotecas em Camaçari, na Bahia, a partir de instituições que já recebiam as famílias do município: um grupo de mães, uma creche comunitária e duas associações. A cada uma delas somou mobiliário, acervo de livros e sessões de contação de histórias voltadas às emoções das crianças.

A realização é do Projeto Ciranda do Saber, do Ministério da Cultura e do Governo Federal, por meio da Lei Rouanet, com patrocínio da TAG (Transportadora Associada de Gás). Segundo o Projeto Ciranda do Saber, cerca de 600 crianças são beneficiadas diretamente, e 150 adultos, entre educadores e funcionários, de forma indireta.

Os componentes do formato

A estrutura física é simples: estantes, mesas e um acervo de livros entregues em cada local. O diferencial está na atividade que acompanhou a entrega. Nas sessões de contação, as histórias foram usadas para ensinar as crianças, de forma lúdica, a reconhecer e lidar com o que sentem.

Os quatro pontos atendidos foram o Grupo de Mães Nossa Senhora do Amparo, a Escola e Creche Comunitária Carmem Mirim, a Associação Paulo Tonucci – Escola Infantil Apito e a Associação de Pais e Mestres do Parque Florestal e Adjacências. Por já fazerem parte da rotina das famílias, esses espaços levaram os livros para perto de casa. Camaçari tinha 300.372 habitantes no Censo 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Por que unir leitura e emoções

O Projeto Ciranda do Saber parte da ideia de que o contato com a literatura desde a infância favorece o desenvolvimento educacional e social, especialmente em comunidades onde estruturas de leitura são escassas. “O acesso ao livro e a um espaço de leitura muda a relação das pessoas com o conhecimento. Quando uma criança encontra uma biblioteca perto de casa, ela ganha a oportunidade de descobrir novas histórias e de ampliar seus horizontes”, afirma Meire Nascimento, idealizadora do projeto.

O componente emocional encontra respaldo na BNCC (Base Nacional Comum Curricular), que prevê entre as competências da educação básica o cuidado com a saúde física e emocional. Já a sexta edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em novembro de 2024 pelo IPL (Instituto Pró-Livro) e pelo Ministério da Cultura, mostrou que o percentual de leitores de 5 a 10 anos passou de 71%, em 2019, para 62%, em 2024.

O retorno das instituições

“As crianças se entusiasmaram com o Projeto desde o conhecimento de sua existência, durante o acolhimento, até o momento da brilhante contação de história”, relata Aysha M. N. Benevides, diretora do Grupo de Mães Nossa Senhora do Amparo. Marli Azevedo, coordenadora pedagógica da Escola e Creche Comunitária Carmem Mirim, também aprova: “Avalio o projeto Caixinha de Emoções com nota máxima”.

As instituições apontam ainda o que esperam para a etapa seguinte. Leiliane M. S. Cavalcante, coordenadora geral da Associação Paulo Tonucci – Escola Infantil Apito, avalia: “Melhorar sempre é importante; a continuidade desse tipo de parceria fortalece a educação como um todo.” Tatiana dos Santos, diretora da Associação de Pais e Mestres do Parque Florestal e Adjacências, completa: “Que a equipe do Projeto Ciranda do Saber possa acompanhar anualmente nossa biblioteca”.

Para gestores e empresas que pensam em montar uma biblioteca comunitária, o caso de Camaçari reúne os elementos do formato: um espaço que já atende as famílias, mobiliário, acervo, contação de histórias e, segundo as próprias instituições, acompanhamento depois da entrega.

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