Crosoften, com mais de 2.500 projetos entregues, explica quando um software desenhado em torno do processo substitui pontes entre sistemas
Em muitas empresas, a área de tecnologia passa mais tempo fazendo sistemas diferentes trocarem informações do que melhorando a operação. Quando o ERP, o CRM, a plataforma de vendas e as planilhas não se comunicam, o esforço se concentra em mover dados de um lado para o outro, e cada ponte criada aumenta o risco de informação duplicada ou perdida.
Para a Crosoften, empresa brasileira de engenharia de software fundada em 2003, esse é um dos sinais de que pode valer a pena trocar parte das ferramentas prontas por um sistema desenhado em torno do processo. A companhia soma mais de 2.500 projetos entregues e cerca de 800 desenvolvedores, atua no Brasil, no Panamá e no Chile e, em 2026, consolida a expansão para os Estados Unidos.
Integração entre tecnologias como prioridade
O movimento aparece nos dados do setor. O estudo Mercado Brasileiro de Software: Panorama e Tendências 2026, da ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software) com dados da IDC (International Data Corporation), mostra que o mercado de TI do país somou US$ 67,8 bilhões em 2025, alta de 18,5%, e deve avançar 5,3% em 2026. Para Jorge Sukarie Neto, conselheiro da ABES e responsável pelo levantamento, as empresas brasileiras passaram a investir menos para digitalizar e mais em busca de retorno, integração entre tecnologias e racionalização de custos.
A integração também pesa quando a inteligência artificial entra na operação. Pesquisa da IDC encomendada pela ABES, com 107 decisores de TI, aponta que 95% das empresas já usam a tecnologia, mas só 48% afirmam ter dados bem estruturados e governados.
Quando o sistema próprio substitui as pontes
Um software criado a partir do fluxo real de trabalho pode eliminar parte das conexões entre plataformas, porque reúne no mesmo ambiente etapas que antes dependiam de várias ferramentas. A decisão, porém, não deve partir do preço da assinatura.
“Ninguém deveria começar um projeto sob medida porque acha a ferramenta pronta cara. O ponto é outro: quando o seu jeito de operar é o que faz o cliente escolher você, encaixá-lo num sistema genérico é abrir mão da vantagem”, afirma Rafael Melo, CEO da Crosoften.
Segundo a empresa, outros sinais costumam aparecer junto com o excesso de integrações: equipes que mantêm planilhas paralelas e retrabalho para adaptar o sistema, licenças cobradas por usuário que encarecem à medida que a operação cresce e dados sensíveis cuja localização e acesso precisam ser controlados. “Muita empresa já paga por um software sob medida sem perceber. Só que paga em horas da equipe, todos os meses”, diz o executivo.
Nem tudo precisa ser desenvolvido
A Crosoften não recomenda construir tudo. Para rotinas padronizadas, como folha de pagamento, e-mail e emissão de nota fiscal, para negócios que ainda validam o modelo ou para quem não tem orçamento de manutenção contínua, a ferramenta de mercado costuma ser a escolha adequada. “Sob medida não é sinônimo de melhor. É a escolha certa quando o software vira parte do produto ou da forma de competir”, resume Melo.
Escopo, prazo e preço definidos antes
Para reduzir o risco de projetos que não terminam, a companhia define escopo, preço e prazo antes de iniciar o desenvolvimento. O trabalho começa com acordo de confidencialidade e diagnóstico, segue com proposta fechada e entregas em ciclos de 60 dias, em média, com pagamento por etapa e garantia de cinco anos contra bugs e defeitos de desenvolvimento.
Para resolver sistemas que não conversam entre si, o caminho começa por mapear quais processos dependem dessas pontes e quais deles diferenciam o negócio. Substituir primeiro um fluxo, em um ciclo de entrega, permite medir o ganho antes de mexer no conjunto das ferramentas.








