GX Capital: Fiagros batem recorde e abrem alternativa de crédito para o agro

Vinicius Teixeira, CEO da GX Capital

Fundo que capta recursos para a cadeia produtiva do agronegócio soma R$ 8,3 bilhões no semestre, aponta GX Capital

Os Fiagros (Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais) somaram R$ 8,3 bilhões no primeiro semestre de 2026, recorde para a série histórica da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). O dado aparece no balanço mais amplo do mercado de capitais doméstico, que captou R$ 361,8 bilhões no período, maior volume desde o início da série, em 2012, segundo a GX Capital, boutique financeira que estrutura operações de câmbio e crédito para empresas do agronegócio e de outros setores.

O crescimento dos Fiagros faz parte de um movimento mais amplo de diversificação do mercado de capitais brasileiro. A renda fixa, que tradicionalmente concentra a maior parte das captações, respondeu por R$ 288,8 bilhões no semestre, mas teve sua fatia reduzida de 92,4% para 79,8% do total, a menor participação desde o primeiro semestre de 2021. Ao mesmo tempo, instrumentos como fundos imobiliários e os próprios Fiagros bateram recorde, o que indica que o mercado não encolheu, mas se espalhou por mais instrumentos.

O que é o Fiagro e como ele se conecta ao crédito estruturado

O Fiagro é um fundo que capta recursos de investidores para financiar as cadeias produtivas do agronegócio, incluindo produção, industrialização e comercialização. Ele integra um movimento maior descrito pela GX Capital como crédito estruturado: uma modalidade em que a análise de risco deixa de partir apenas do balanço da empresa tomadora e passa a considerar o ativo que sustenta a operação, que no caso do agronegócio pode incluir um contrato de fornecimento de longo prazo ou um conjunto de recebíveis da cadeia produtiva.

“O que mudou não foi o instrumento, foi o alcance. Essas operações sempre existiram, só não chegavam à empresa de médio porte porque não havia quem estruturasse na medida dela. O trabalho hoje é de tradução e de acesso, não de invenção”, afirma Vinicius Teixeira, CEO da GX Capital.

O que a empresa do agronegócio precisa observar antes de estruturar uma operação

Segundo a GX Capital, três frentes concentram a maior parte dos travamentos em uma operação de crédito estruturado, independentemente do setor. A primeira é a regularidade jurídica do ativo oferecido em garantia, que não pode ter pendência de documentação ou disputa em curso. A segunda é a qualidade da informação financeira apresentada, com números consistentes e conciliáveis com o balanço. A terceira é a clareza sobre a destinação do recurso, já que apontar capital de giro de forma genérica costuma encarecer a operação, por não permitir ao estruturador enxergar a origem do caixa que vai pagar a dívida.

Vale o esforço de mapear o que já existe na empresa

Para o setor agropecuário, que concentra parte relevante da atividade econômica do Centro-Oeste, o crescimento de instrumentos como o Fiagro mostra que existem hoje mais caminhos para captar recursos além da linha bancária tradicional de capital de giro. Segundo a GX Capital, o primeiro passo para uma empresa do agronegócio avaliar essa alternativa é identificar qual ativo, contrato ou recebível já disponível na operação poderia sustentar uma captação com custo mais baixo.

“A pergunta que o empresário deveria fazer não é qual a taxa, é qual ativo eu tenho parado que poderia estar sustentando essa operação. Quase sempre existe um, e quase sempre ele está ocioso”, diz Teixeira.

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