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Escassez de gado reduz oferta em leilões de Goiás e chegada das chuvas pode pressionar preços

A redução na disponibilidade de animais para comercialização tem alterado o cenário do mercado pecuário em Goiás. Mesmo com a proximidade do período chuvoso, tradicionalmente marcado pela recuperação das pastagens e pelo aumento da procura por animais de reposição, a oferta limitada de gado já tem influenciado as negociações nos leilões rurais. Segundo Guilherme Scatena Neto, proprietário da 3M Leilões, a demanda atualmente supera a produção, especialmente no mercado de bezerros, o que tem mantido a procura aquecida e contribuído para a sustentação dos preços.

A mudança pode ser observada no volume de animais apresentados em alguns leilões semanais realizados no estado. Eventos que anteriormente reuniam entre 800 e mil cabeças passaram a registrar lotes de aproximadamente 300 a 400 animais, representando uma redução superior à metade em determinadas operações. De acordo com Scatena, a queda não está diretamente relacionada às condições climáticas, mas à menor disponibilidade de animais para atender ao consumo.

“Hoje, a demanda está maior do que a produção. Está faltando bezerro no mercado. Leilões que antes trabalhavam com 800 a mil animais estão trabalhando com 300, no máximo 400. A oferta já reduziu pela metade, mas não por causa das chuvas, e sim porque a produção está menor do que o consumo”, explica o empresário.

Historicamente, a chegada das chuvas representa um período importante para a atividade pecuária. Com o aumento das precipitações, as pastagens começam a se recuperar, ampliando a disponibilidade de alimento para os rebanhos. Esse cenário costuma estimular produtores que reduziram ou suspenderam as compras durante a estiagem a retomarem as negociações, principalmente para recompor ou ampliar a quantidade de animais nas propriedades.

Neste ano, entretanto, a expectativa é de que o efeito das chuvas sobre os preços seja menos expressivo. Na avaliação de Scatena, a procura por animais já se encontra em patamar elevado, independentemente da recuperação das pastagens. Dessa forma, a escassez de gado disponível tende a exercer uma influência mais significativa sobre as negociações do que a própria mudança nas condições climáticas.

“A partir do momento em que chove, há uma maior procura por gado e o preço costuma subir. Muitos produtores que preferem se resguardar durante a seca voltam às compras quando têm pasto disponível. Mas, neste ano, acredito que a chuva não vai interferir tanto, porque a procura já está muito grande”, avalia.

A dificuldade para encontrar animais diretamente nas propriedades também tem aumentado a importância dos leilões no mercado pecuário. Esses eventos se tornaram uma alternativa para compradores que precisam adquirir volumes maiores de gado e comparar diferentes lotes em uma mesma negociação. Com a redução da oferta nas fazendas, os leilões passam a concentrar parte da procura de produtores que encontram dificuldades para localizar animais disponíveis para compra.

Irregularidade das chuvas pode afetar desenvolvimento dos animais

Apesar de considerar a escassez de gado o principal fator de influência sobre o mercado neste momento, o empresário também chama a atenção para os impactos que a irregularidade das chuvas pode provocar na atividade pecuária. A quantidade e a frequência das precipitações interferem diretamente no desenvolvimento das pastagens e, consequentemente, no ganho de peso dos animais criados a pasto.

Quando as chuvas demoram a se estabelecer ou são interrompidas por períodos de estiagem, o crescimento do capim pode ser prejudicado. Com menos alimento disponível, bezerros e bois podem levar mais tempo para atingir o peso adequado para comercialização, obrigando os produtores a prolongar a permanência dos animais nas propriedades.

Scatena explica que esse processo pode ocorrer mesmo quando as primeiras precipitações favorecem o início da recuperação das pastagens. Caso o período de chuva seja interrompido, o capim pode deixar de se desenvolver adequadamente, comprometendo o ganho de peso conquistado pelos animais e exigindo mudanças no planejamento das fazendas.

“Quando a chuva é escassa, o pasto demora a se desenvolver, o bezerro demora a responder e o boi criado a pasto também leva mais tempo para ficar pronto. Às vezes, o capim começa a crescer, o animal ganha peso, mas, se a chuva para, ele pode voltar a emagrecer. Isso influencia muito o planejamento das fazendas e também os preços”, explica.

A irregularidade das precipitações, portanto, pode interferir tanto no calendário de comercialização quanto nos custos de produção, especialmente nas propriedades que dependem predominantemente das pastagens para alimentar os rebanhos. Nesse cenário, a combinação entre oferta reduzida, procura aquecida e condições climáticas ainda instáveis mantém o mercado pecuário goiano atento aos próximos movimentos das negociações.

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