A valorização do boi gordo, impulsionada pela demanda interna e pelas exportações, traz perspectivas positivas para a pecuária brasileira na reta final de 2026. Apesar do cenário favorável, o aumento no preço dos animais de reposição e as oscilações nos custos de alimentação exigem atenção dos produtores, especialmente daqueles que trabalham com recria, engorda e confinamento. Para 2027, a expectativa é de preços favoráveis, mas a rentabilidade dependerá do controle das despesas e da eficiência produtiva.
A avaliação é do médico-veterinário, produtor rural e presidente do Sindicato Rural de Itapirapuã, Edgard Scatena Filho. Segundo ele, a alta no valor da arroba não garante, isoladamente, melhores resultados financeiros. O produtor precisa acompanhar as variações do mercado, calcular os custos da atividade e adotar estratégias para proteger as margens de lucro.
“O mercado está favorável, mas isso não significa que o produtor possa baixar a guarda. Os custos de produção continuam oscilando e a reposição está cara. É preciso fazer contas, acompanhar o mercado e utilizar mecanismos de proteção para preservar as margens”, afirma.
Consumo de fim de ano e exportações influenciam o mercado
A proximidade das festas de fim de ano pode contribuir para sustentar os preços do boi gordo em novembro e dezembro. Tradicionalmente, o período é marcado pelo aumento do consumo de carne, fator que favorece a demanda no mercado interno.
Além disso, as exportações continuam entre os principais elementos que influenciam o valor recebido pelos pecuaristas. De acordo com Edgard Scatena Filho, a perspectiva de ampliação das vendas internacionais, somada à demanda de compradores tradicionais, como a China, pode contribuir para manter a arroba em patamares favoráveis.
“O fim do ano costuma trazer um aumento no consumo, e isso favorece o mercado. Ao mesmo tempo, temos a perspectiva de ampliação das vendas internacionais, com novos mercados e a demanda de compradores tradicionais, como a China. Esses fatores podem contribuir para manter a arroba em patamares favoráveis”, explica.
A demanda internacional também interfere na disponibilidade de carne destinada ao mercado brasileiro. No entanto, uma eventual valorização do boi gordo não representa, necessariamente, um aumento imediato e proporcional no preço pago pelo consumidor. Isso porque o valor final da carne nos supermercados também incorpora despesas com processamento, transporte e comercialização.
Reposição de animais e alimentação pressionam os custos
Dentro das propriedades rurais, o principal desafio é equilibrar o valor obtido com a venda dos animais e as despesas necessárias para produzi-los. O encarecimento dos bezerros, utilizados na reposição do rebanho, e dos grãos empregados na alimentação pode reduzir a rentabilidade, mesmo quando os preços de venda estão elevados.
A situação exige atenção especial dos produtores que dependem da compra de animais para dar continuidade à produção e daqueles que utilizam sistemas intensivos de engorda.
No confinamento, o acompanhamento dos custos da dieta e dos insumos é particularmente importante. A variação dos preços dos grãos pode alterar o custo da arroba produzida e comprometer o resultado financeiro da atividade.
“Quem compra um animal de reposição mais caro e ainda precisa arcar com uma dieta de custo elevado deve acompanhar cada despesa. O confinador, principalmente, precisa avaliar o preço dos grãos e calcular o custo da arroba produzida. Sem esse controle, mesmo em um mercado valorizado, existe risco de prejuízo”, alerta Edgard.
Nesse cenário, o planejamento financeiro e o monitoramento dos gastos são fundamentais para que o produtor identifique os custos da operação e avalie as condições de compra, alimentação e venda dos animais.
Eficiência produtiva será determinante em 2027
Para 2027, Edgard Scatena Filho projeta perspectivas positivas para os preços da arroba, mas destaca que os resultados dependerão da capacidade de cada propriedade de produzir com eficiência.
Entre as medidas apontadas pelo presidente do Sindicato Rural de Itapirapuã estão os investimentos em genética de qualidade, a recuperação das pastagens, a suplementação estratégica e a manutenção de programas sanitários eficientes.
O uso de tecnologias para acompanhar o desempenho do rebanho também é considerado importante. O monitoramento do peso dos animais e o controle das atividades da propriedade podem auxiliar na avaliação dos resultados e na tomada de decisões.
“Precisamos investir em genética de qualidade, melhorar as pastagens e manter programas sanitários eficientes. A tecnologia também precisa estar presente na propriedade, desde o monitoramento do peso dos animais até o controle das atividades. O produtor que acompanha seus números consegue tomar decisões melhores”, afirma.
Rastreabilidade e certificações ganham importância
Outro ponto destacado por Edgard é a necessidade de acompanhar as exigências dos mercados compradores, especialmente em relação à rastreabilidade e às certificações.
Segundo ele, o avanço dessas exigências reforça a importância de processos produtivos organizados, com controle das atividades e atenção à responsabilidade na produção. A adequação às demandas dos compradores é apontada como um dos fatores para preservar a competitividade da pecuária brasileira.
“Cada vez mais, o mercado exige eficiência, controle e responsabilidade na produção. Precisamos acompanhar essas mudanças para produzir melhor, atender aos compradores e manter a competitividade da pecuária brasileira”, conclui.
Diante das perspectivas para o fim de 2026 e o próximo ano, a avaliação é de que o mercado aquecido representa uma oportunidade para a pecuária, mas exige planejamento. A combinação entre controle de custos, investimentos estratégicos e eficiência na produção será fundamental para que os produtores aproveitem a valorização do boi gordo sem comprometer a rentabilidade.
Fonte: Edgard Scatena Filho, médico-veterinário, produtor rural e presidente do Sindicato Rural de Itapirapuã.
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