Para quem investe fora do eixo Rio-São Paulo, nova camada de tecnologia promete simular o risco de uma posição em ativos digitais antes de qualquer aplicação
Diversificar investimentos costuma ser a primeira recomendação de qualquer planejador financeiro, mas quando o assunto é ativos digitais, essa diversificação esbarra em um problema recorrente: a dificuldade de medir o risco real de cada posição antes de aplicar. Para o investidor que já monta uma carteira com renda fixa, fundos imobiliários e ações e quer testar uma fatia menor em ativos digitais, essa é justamente a barreira que mais pesa na decisão.
O interesse pelo tema não é exagero. Segundo estudo do Boston Consulting Group em parceria com a bolsa digital ADDX, a tokenização de ativos deve se tornar uma oportunidade de negócios de US$ 16,1 trilhões até 2030, cerca de 10% do PIB global, um salto de 50 vezes sobre os US$ 310 bilhões registrados em 2022. Instituições como BlackRock, JPMorgan e HSBC já lideram iniciativas no segmento.
O que trava a decisão de diversificar
Dois medos concentram boa parte da resistência de quem pensa em alocar parte do patrimônio em ativos digitais: a volatilidade extrema, que pode corroer uma posição em poucas horas, e o risco de contraparte, ligado a fraudes e ativos sem lastro real. São riscos que normalmente exigem soluções separadas, uma de gestão de carteira e outra de análise de crédito, o que dificulta ainda mais a vida de quem investe sem uma equipe dedicada a isso.
É esse o problema que a plataforma RedMind, do empreendedor Guga Stocco, cofundador do Banco Original, tenta resolver com tecnologia de inteligência artificial fornecida pela Grand Thera Technologies, deeptech que estrutura dados fragmentados de mercado em uma base única para apoiar decisões financeiras.
Como a simulação de risco funciona na prática
O sistema entende o apetite a risco do investidor, propõe uma carteira para avaliação e testa os limites dessa carteira em simulações de mercado antes de qualquer ordem ser executada. Depois da execução, as posições são rebalanceadas em tempo real conforme o regime de mercado muda, o que reduz a necessidade de acompanhamento manual constante por parte de quem investe.
Em teste sob estresse, conduzido com a equipe de análise de risco da RedMind, diante de uma queda de 30% nos ativos digitais, o impacto sobre a carteira protegida ficou contido em aproximadamente 10%. Mesmo com a volatilidade geral do mercado batendo 42%, a carteira testada se manteve próxima da meta de 15% definida previamente.
“O investidor comum não entra nesse mercado por dois medos: o dinheiro virar pó da noite para o dia e comprar de quem não deveria. A arquitetura ataca os dois ao mesmo tempo, com rebalanceamento em tempo real e parceiros homologados”, afirma Fernando Negrini, CEO da Grand Thera.
Para quem investe fora do eixo Rio-São Paulo e busca formas de diversificar a carteira sem abrir mão de segurança, a lição prática do caso é que já existe tecnologia capaz de testar o pior cenário de uma posição em ativos digitais antes de qualquer dinheiro sair do lugar.