Projeto de rede própria de eletropostos para a BR-101 tem marca registrada desde 2014, quando o carro elétrico ainda era aposta no Brasil. Em 2026, as vendas cresceram 125% e validaram a tese
Em empreendedorismo, estar certo cedo demais parece estar errado. A marca da Rota BR 101, rede de eletropostos com conveniência completa desenhada para o corredor litorâneo da BR-101, está registrada no INPI desde 2014, na época para um negócio de posto de combustível e loja de conveniência. Enxergando um mercado que ainda era promessa, o fundador antecipou a virada: não trocou o nome, abriu um segundo registro na frente de energia elétrica e redesenhou o masterplan, ainda quando o carro elétrico era aposta de nicho no Brasil.
A curva chegou. O Brasil emplacou 215.023 veículos eletrificados no primeiro semestre de 2026, alta de 125% sobre o mesmo período de 2025, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), e junho marcou recorde histórico, com 18,3% de participação nas vendas de veículos leves. A infraestrutura, de 25,4 mil pontos públicos de recarga, seguiu concentrada nos grandes centros do Sudeste e do Sul, exatamente o vão que o projeto mira.
O fundador, Alex Cardoso, não veio do setor elétrico. Nome conhecido no mercado de franchising e varejo, ele chegou à tese rodando a própria rodovia e enxergando o que faltava ao litoral brasileiro: uma marca de parada, um padrão de serviço que o motorista reconhece de um trecho para o outro.
“O motorista precisa saber o que vai encontrar na próxima parada. A BR-101 tem o fluxo, tem o litoral, tem o turismo, e não tinha isso”, afirma Cardoso.
O plano que saiu dessa leitura prevê uma primeira etapa de 20 eletropostos próprios, cada um com cinco torres de recarga rápida de 120 a 360 kW, conveniência completa com cafeteria, operação 24 horas e de 25 a 35 empregos diretos, com expansão programada para 200 unidades. O modelo distribui o resultado por mais de dez frentes de receita, da conveniência ao crédito de carbono, e trata a recarga como geradora de fluxo, com a permanência virando consumo, o que aproxima a unidade de um ponto de varejo.
Para quem pensa em empreender em mobilidade elétrica agora, a trajetória deixa dois recados. O primeiro é sobre timing: o mercado premia quem estrutura o negócio antes do consenso, porque quando a demanda explode, o ativo já está de pé, ao menos no papel e no registro. O segundo é sobre método: a mobilidade elétrica é nova, mas as disciplinas que a sustentam, ponto comercial, padronização e marca, são as mesmas de sempre.