Em sua quarta edição, projeto idealizado por Meire Santos reuniu artistas, arquitetos, designers, colecionadores e marcas no WTC Goiânia, em uma noite que aproximou criação autoral, identidade brasileira, patrimônio e propósito social
Goiânia ganhou, na noite de segunda-feira (31), um encontro em que arte, design, arquitetura e identidade brasileira dividiram o protagonismo. A quarta edição do Fauna e Flora, realizada no WTC Goiânia, reuniu nomes da cena criativa, convidados e marcas em torno de uma leitura contemporânea do luxo, menos associada à ostentação e cada vez mais ligada à exclusividade, à autoria, à origem e à história que cada peça é capaz de contar.
Idealizado por Meire Santos, o projeto chega à quarta edição ampliando sua presença no calendário cultural e criativo de Goiás. A proposta parte de elementos reconhecíveis da fauna, da flora e do imaginário brasileiro para transformá-los, pelas mãos de artistas, arquitetos e designers, em peças únicas, estabelecendo uma conexão entre arte contemporânea, design colecionável, natureza, memória e patrimônio cultural.
Nesta edição, o conceito “Brasil, Goiás original, luxo bruto, com raiz e com arte” sintetizou o espírito da mostra. Em lugar de referências importadas sobre sofisticação, o Fauna e Flora voltou o olhar para dentro: para a força estética do Cerrado, para a biodiversidade brasileira, para os materiais, cores, texturas e afetos capazes de traduzir uma identidade própria.
É justamente nesse território que o projeto se aproxima de uma das discussões mais presentes no universo internacional do luxo contemporâneo: o valor daquilo que tem procedência, autoria, singularidade e significado.
“Fauna e Flora nasceu para valorizar aquilo que temos de mais genuíno: nossa cultura, nossa natureza e nossa capacidade de transformar identidade em arte. Cada edição amplia esse diálogo entre artistas, arquitetura, design e sociedade, mostrando que o luxo também pode estar na autenticidade das nossas raízes”, afirma Meire Santos.
Do Cerrado ao objeto de desejo
O processo criativo da quarta edição começou meses antes, durante a 29ª CASACOR Goiás, quando as esculturas foram entregues aos profissionais convidados. A partir dali, cada participante recebeu liberdade para interferir nas peças a partir de sua própria linguagem, repertório e técnica.
O resultado foi uma coleção marcada pela diversidade estética e pelo caráter irrepetível das obras. Trinta esculturas de capivaras em tamanho natural, 14 Raposas Toy e oito Tamanduás Toy ganharam novas narrativas e passaram da representação figurativa da fauna para o território da arte e do design autoral.
Símbolos da biodiversidade brasileira, os animais foram reinterpretados por diferentes olhares, criando um conjunto que transitou entre arte, objeto de coleção e design.
A mostra ganhou ainda uma dimensão dedicada diretamente às artes visuais, com a participação de 15 artistas plásticos convidados, responsáveis por trabalhos inéditos disponibilizados para aquisição durante o evento. Diferentemente das esculturas destinadas ao leilão beneficente, as telas puderam ser adquiridas diretamente pelo público, assim como tamanduás e raposas em grandes dimensões criados especialmente para esta edição.
A presença de obras disponíveis para aquisição reforça outra vertente que o projeto pretende estimular: a aproximação de novos públicos com o colecionismo e a produção artística autoral, movimentando uma cadeia que envolve artistas, designers, arquitetos, galerias, marcas e consumidores.
Memória de Goiânia transformada em arte
O diálogo entre passado e presente apareceu também na participação de três lojas tradicionais de Goiânia, convidadas a integrar a edição a partir de objetos emblemáticos de suas próprias trajetórias.
As peças receberam intervenções de arquitetos, designers e artistas e retornaram ao público com novos significados. Ao transformar elementos ligados à memória comercial da capital em objetos artísticos, o Fauna e Flora trouxe para dentro da exposição uma discussão sobre patrimônio afetivo, pertencimento e história urbana.
A iniciativa ajudou a deslocar o conceito de luxo para um campo mais cultural: aquele em que raridade não significa apenas valor material, mas também memória, tempo, autoria e vínculo com um lugar.
Arte que também transforma
A dimensão estética do projeto caminha ao lado de seu propósito social. Parte da arrecadação desta edição será destinada ao Hospital de Câncer Araújo Jorge, ao Asilo Colombino e a duas creches de Goiânia, mantendo o compromisso beneficente presente na trajetória do Fauna e Flora.
Essa união entre criação, mercado e responsabilidade social ajuda a construir uma identidade particular para o evento: as obras despertam desejo e interesse pelo seu valor artístico, mas também carregam a possibilidade de produzir impacto para além dos espaços onde serão expostas.
Ao chegar à quarta edição, o Fauna e Flora ultrapassa o formato de uma exposição pontual. O projeto estabelece conexões entre diferentes segmentos da economia criativa, aproxima artistas e profissionais do design de potenciais colecionadores, estimula negócios e cria uma experiência em torno da produção cultural brasileira.
Em uma cidade que vem ampliando sua presença nos segmentos de arquitetura, design, gastronomia, moda e mercado de alto padrão, iniciativas dessa natureza também colaboram para uma nova percepção de Goiânia no cenário nacional.
Mais do que reproduzir códigos tradicionais do luxo, o Fauna e Flora propõe um caminho próprio: um luxo brasileiro, autoral e afetivo, que encontra valor justamente naquilo que não pode ser replicado — a origem, a identidade, a memória e a arte.
Veja quem passou por lá
A noite também foi marcada pelos encontros. Confira alguns dos convidados que prestigiaram a ocasião, pela lente de Cristiano Borges.













