O uso de canetas emagrecedoras cresceu 239% no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo levantamento da Scanntech. O percentual considera a soma do mercado formal com uma estimativa de consumo informal, calculada a partir da evolução das vendas de seringas em farmácias e de uma linha de base histórica associada ao consumo de insulina. O estudo estima que mais de 50% das doses em circulação no país possam estar relacionadas ao mercado informal. Entre os principais motivos para o uso de medicamentos à base de GLP-1 estão o combate à obesidade (29,5%), a perda rápida de peso (28,6%), o controle do apetite (23,8%) e a manutenção do peso (24,1%). A redução do risco cardiovascular (22,8%) e o tratamento do diabetes tipo 2 (16,7%) também aparecem entre as justificativas. Diante desse cenário, a endocrinologista Jaqueline Fernandes, que atende no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia, alerta para os riscos do uso sem orientação médica. Segundo a especialista, iniciar o tratamento por conta própria pode levar à utilização de doses inadequadas ou ao aumento acelerado da medicação, na tentativa de emagrecer mais rapidamente. O tema ganha destaque em 11 de outubro, data em que é celebrado o Dia Nacional de Prevenção da Obesidade.
A médica ressalta que a avaliação profissional é fundamental para verificar a indicação do tratamento, identificar fatores de risco individuais, analisar os medicamentos já utilizados pelo paciente e reconhecer condições que exijam cautela ou contraindiquem determinadas substâncias. Entre os pontos de atenção estão os alertas relacionados à tireoide e a possibilidade de redução excessiva da ingestão de alimentos devido à diminuição do apetite, o que pode contribuir para deficiências nutricionais, anemia, fraqueza e queda de cabelo. Outro erro frequente, segundo Jaqueline, é acreditar que doses maiores produzem necessariamente melhores resultados. Esses medicamentos exigem aumento progressivo da dose, respeitando o período de adaptação de cada organismo, já que a elevação por conta própria pode intensificar os efeitos adversos sem garantir benefícios proporcionais no emagrecimento. A especialista também chama a atenção para a importância da prática de atividades físicas e da preservação da massa muscular durante a perda de peso, além da necessidade de respeitar os sinais do organismo. Persistir com a medicação diante de vômitos importantes, dificuldade para se hidratar ou outros sintomas relevantes pode agravar o quadro. Sem acompanhamento clínico e exames laboratoriais, alterações nutricionais e metabólicas também podem passar despercebidas. A identificação correta do medicamento, do princípio ativo, da concentração e da dose prescrita é outro cuidado essencial, especialmente diante dos riscos associados a produtos de procedência duvidosa.
Entre os efeitos colaterais mais comuns das canetas emagrecedoras estão náuseas, sensação de estômago cheio, saciedade precoce, vômitos, diarreia, constipação e desconforto ou dor abdominal. De acordo com Jaqueline Fernandes, esses sintomas costumam ser mais frequentes no início do tratamento, após o consumo de alimentos ricos em gordura e durante os períodos de aumento da dose. Na maioria dos casos, são manifestações leves e transitórias, mas alguns sinais exigem atenção. Vômitos persistentes, incapacidade de manter a ingestão de líquidos, tontura intensa e redução da quantidade de urina podem indicar desidratação. Já a dor abdominal intensa ou persistente, principalmente quando acompanhada de vômitos ou irradiada para as costas, precisa ser avaliada para descartar complicações como pancreatite. Dor forte na parte superior direita do abdome, especialmente quando associada a febre ou icterícia, também requer investigação por possível relação com alterações na vesícula biliar. Para a endocrinologista, o acompanhamento médico permite ajustar o tratamento conforme a resposta individual e reduzir os riscos associados ao uso inadequado, garantindo que o processo de emagrecimento ocorra de maneira sustentável e com atenção à preservação da saúde.








