SAÚDE

Novembro Azul: Brasil deve registrar quase 78 mil novos casos de câncer de próstata por ano

O Brasil deve registrar 77.920 novos casos de câncer de próstata por ano no período de 2026 a 2028, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA). O número reforça a importância da campanha Novembro Azul, dedicada à conscientização sobre a doença e ao incentivo aos cuidados com a saúde masculina. Excluídos os tumores de pele não melanoma, esse é o tipo de câncer mais incidente entre os homens brasileiros.

Um dos principais desafios no enfrentamento da doença é a identificação precoce. Nas fases iniciais, o câncer de próstata pode não apresentar sintomas, o que torna ainda mais importante a orientação médica e a avaliação individualizada. Quando aparecem, alterações urinárias podem indicar a necessidade de investigação, embora também estejam associadas a problemas benignos.

A idade é um dos principais fatores de risco. A incidência e a mortalidade aumentam significativamente após os 60 anos. Homens que têm pai ou irmão diagnosticado com câncer de próstata antes dos 60 anos também precisam de atenção especial. O excesso de gordura corporal, por sua vez, está associado a um maior risco de desenvolvimento da doença em estágio avançado.

Entre os sinais que merecem avaliação médica estão dificuldade para urinar, enfraquecimento do jato urinário, aumento da frequência das idas ao banheiro e presença de sangue na urina. Embora essas manifestações não confirmem, por si só, a existência de um tumor, especialistas alertam que elas não devem ser ignoradas nem atribuídas automaticamente ao envelhecimento.

Segundo o médico urologista Marcelo Cozac, muitos homens adiam a procura por atendimento por constrangimento ou por acreditarem que as mudanças no funcionamento urinário são consequências naturais da idade. O especialista ressalta que investigar a origem dos sintomas é fundamental, inclusive para identificar e tratar condições que não estão relacionadas ao câncer.

A recomendação da Sociedade Brasileira de Urologia é que homens procurem avaliação médica individualizada a partir dos 50 anos. Para homens negros, aqueles com histórico familiar da doença ou com obesidade, a orientação é antecipar essa conversa para os 45 anos. Durante a consulta, o médico considera o histórico familiar e as condições de saúde do paciente para discutir a necessidade de exames, além dos possíveis benefícios e riscos.

Embora o Ministério da Saúde e o INCA não recomendem o rastreamento populacional do câncer de próstata, isso não impede que exames sejam realizados após uma decisão compartilhada entre médico e paciente. A proposta é avaliar cada situação individualmente, levando em consideração as particularidades de cada homem.

Na investigação clínica, dois procedimentos podem auxiliar na identificação de alterações suspeitas: o exame de sangue para medir o PSA, antígeno prostático específico, e o toque retal. Nenhum dos dois, isoladamente, é suficiente para confirmar o diagnóstico. Dependendo dos resultados, o médico pode solicitar exames complementares. A confirmação da doença ocorre por meio da análise de uma amostra de tecido obtida por biópsia.

O diagnóstico de câncer de próstata também não significa que todos os pacientes receberão o mesmo tratamento. A escolha da conduta depende das características do tumor, da extensão da doença e das condições gerais de saúde do homem. Entre as possibilidades estão cirurgia, radioterapia e terapias sistêmicas.

Em situações selecionadas, especialmente nos casos de tumores de baixo risco, pode ser indicada a vigilância ativa. A estratégia consiste no acompanhamento periódico da doença, por meio de avaliações regulares, sem a necessidade de iniciar imediatamente um tratamento. A decisão terapêutica deve considerar os benefícios esperados, os possíveis efeitos adversos e as preferências do paciente.

Para Marcelo Cozac, o Novembro Azul representa uma oportunidade de aproximar os homens dos cuidados com a própria saúde, esclarecer dúvidas e superar barreiras que ainda dificultam a procura por atendimento. O especialista reforça que a conscientização precisa ir além do mês de novembro, tornando a prevenção, o acompanhamento médico e o diálogo sobre saúde hábitos permanentes.

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