BRASIL

Telemedicina resolve 72,96% dos atendimentos no próprio ambiente digital

Painel mostra o que a teleconsulta resolve e o que ela não cobre; na VoxCare, o plano individual com médico 24 horas custa R$ 24,90 por mês

Painel mostra o que a teleconsulta resolve e o que ela não cobre; na VoxCare, o plano individual com médico 24 horas custa R$ 24,90 por mês

A maior parte das consultas feitas pelo celular termina ali mesmo, sem necessidade de ir a um consultório. Um painel da Saúde Digital Brasil com o Datalab da Serasa Experian, elaborado com dados de empresas de saúde digital, reuniu 7,98 milhões de atendimentos de telessaúde entre 2020 e 2025. Desse total, 72,96% foram concluídos no próprio ambiente digital, sem encaminhamento presencial. O número ajuda a responder uma dúvida frequente de quem avalia o serviço: até onde vai a telemedicina e em que ponto ela precisa da consulta presencial.

A VoxCare é uma das empresas que trabalham nesse formato e atende todos os públicos, da classe média alta à baixa renda. No aplicativo, com atendimento 24 horas, o usuário encontra teleconsulta médica, apoio psicológico e orientação nutricional, além de um clube de benefícios com descontos e cashback. O plano individual custa R$ 24,90 por mês, cerca de R$ 0,83 por dia.

O que a teleconsulta não cobre

Telemedicina não é plano de saúde. O serviço não cobre internação, cirurgia, exames presenciais nem procedimentos. Pela Resolução 2.314/2022 do CFM (Conselho Federal de Medicina), o médico tem autonomia para indicar a consulta presencial sempre que considerar necessário. Com isso, o encaminhamento passa a fazer parte do próprio cuidado.

“Atender quem ganha pouco traz uma responsabilidade a mais: mostrar o caminho certo quando o caso não se resolve pelo celular. Para essa pessoa, um encaminhamento bem feito vale tanto quanto a consulta”, afirma Sonia Cardoso, CEO da VoxCare.

A base legal do formato

A Lei 14.510, de 2022, tornou a telessaúde permanente no Brasil. É dentro desse marco e das regras do CFM que as plataformas organizam o atendimento a distância, com os limites definidos para cada caso.

Quem paga pela telessaúde

No mesmo painel, os planos de saúde financiaram 42% dos atendimentos, os benefícios corporativos 31% e os recursos públicos 8%. O pagamento direto pelo paciente ficou em 1%. A cobertura dos planos também tem alcance limitado. Em junho, os planos de assistência médica somavam 53,1 milhões de beneficiários, o equivalente a 25% da população, segundo a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). Desses, 38,9 milhões estavam em planos coletivos empresariais.

Além da venda direta, parte da oferta de teleconsulta chega por meio de organizações que reúnem pessoas e oferecem o serviço como benefício. No CEAB, escola de aviação, os alunos em curso, do ensino a distância ao presencial, têm acesso ao aplicativo da VoxCare.

“Preço baixo sozinho não fecha a conta. O que sustenta o modelo é chegar a muita gente pelos lugares em que ela já está, como a escola, a associação ou a empresa, e fazer com que o benefício seja usado de verdade”, diz a executiva.

Onde a cobertura não chega

Fora dos planos, a principal referência de atendimento é a rede pública. Segundo a PNS (Pesquisa Nacional de Saúde) de 2019, do IBGE, 69,8% dos brasileiros que costumavam procurar o mesmo serviço quando precisavam de atendimento recorriam a estabelecimentos públicos. Na mesma pesquisa, só 2,2% das pessoas com rendimento mensal de até um quarto do salário mínimo tinham plano de saúde médico, contra 86,8% na faixa de mais de cinco salários mínimos. No mercado de trabalho, a informalidade alcançava 37,4% da população ocupada no segundo trimestre de 2026, segundo a PNAD Contínua, também do IBGE.

O canal de acesso também pesa. De acordo com a pesquisa TIC Domicílios 2025, do Cetic.br, 65% dos usuários de internet do país se conectam exclusivamente pelo celular. Nas classes D e E, a proporção chega a 87%.

“Democratizar o atendimento não é só cobrar menos. É desenhar o serviço para quem só acessa a internet pelo celular, trabalha sem carteira assinada e não pode perder um dia de serviço numa fila”, afirma Sonia.

Para quem avalia a telemedicina, para uso próprio ou para oferecer a uma equipe ou a um grupo de associados, a resposta é objetiva: ela não substitui o plano de saúde. A teleconsulta funciona como porta de entrada para orientação médica a qualquer hora e resolve a maior parte dos casos no próprio celular. Quando o caso exige mais, o médico indica o caminho para o atendimento presencial.

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