A acomodação pós-eleitoral reabre o apetite das mesas de crédito. Especialista explica como a empresa média usa garantia real em setembro para chegar à janela de renegociação com fôlego
Há um momento no ano eleitoral em que o crédito volta a ficar barato: a acomodação, entre novembro e dezembro, quando o resultado das urnas já foi absorvido e as mesas reabrem o apetite. É a janela de renegociação, e ela premia quem chega com caixa. Com primeiro turno em 4 de outubro e segundo em 25, o caminho até lá passa por semanas em que o balcão encarece e desacelera.
“Novembro é quando a acomodação abre janela de renegociação. A empresa que chegou lá com caixa estruturado negocia prazo e taxa; a que chegou sem caixa negocia condição”, afirma Vinicius Teixeira, sócio da GX Capital.
A forma de chegar a novembro com fôlego, segundo ele, é estruturar em setembro. O crédito estruturado com garantia real usa o que a GX Capital chama de ativo travado, o imóvel, o recebível ou o estoque parados no balanço, para reduzir o risco do financiador e trazer o custo abaixo do balcão, com prazo desenhado para o fluxo da empresa.
“Em ano eleitoral o crédito não some, ele fica mais caro e mais lento nas semanas em que o mercado está lendo pesquisa. A empresa que estrutura em setembro, com garantia real e prazo casado com o fluxo, fecha condição antes de o prêmio de risco entrar no spread”, diz o executivo.
Para o agro e a indústria do Centro-Oeste, o recebível de exportação tem um uso adicional: lastrear antecipação em dólar, eliminando o descasamento cambial da dívida. O playbook Importação Blindada, publicado pela GX em maio, simula R$ 600 mil de caixa liberado em antecipação numa operação-modelo, e a mesa combina o crédito com o hedge em camadas para que o caixa não seja consumido pela cotação até o segundo turno.
“Quem importa com passivo em dólar e capta em real precisa das duas pontas na mesma mesa: o crédito estruturado dá o fôlego, o hedge em camadas garante que o fôlego não evapore com a cotação. Separar as duas decisões é comprar o seguro depois do sinistro”, explica Teixeira.
A GX, com mais de R$ 2 bilhões em volume estruturado, usa o Auron IA, tecnologia própria no aplicativo do cliente, na leitura do balanço. Para a empresa que pretende renegociar em novembro, a pergunta de setembro é o que está parado no balanço enquanto o crédito encarece.








