Médico Aihan Kirchhoff atende pacientes de Miami, Orlando e Europa e vê o cuidado brasileiro como diferencial no turismo de saúde
Pacientes que vivem em Miami, em Orlando, na Nova Zelândia, na França e em outros países da Europa costumam chegar ao consultório do médico Aihan Kirchhoff com a mesma queixa. Segundo o fundador da AionClinic, no Itaim Bibi, em São Paulo, eles relatam a dificuldade de encontrar, onde moram, médicos que conversem, que queiram entender o que realmente desejam e que se preocupem de verdade com o cuidado.
“Muitas vezes, o que a paciente quer é ser escutada. Nem sempre ela sabe explicar o que a incomoda, e nem sempre a resposta é uma grande intervenção”, diz Kirchhoff.
Estética lidera o turismo de saúde
O movimento aparece também nos números do turismo de saúde. Estudo da SP Negócios, agência de promoção de investimentos da Prefeitura de São Paulo, estima que a capital paulista recebeu mais de 4,2 milhões de pessoas em busca de tratamento médico em 2024, entre brasileiros e estrangeiros, com volume financeiro de R$ 49,7 bilhões. Os procedimentos estéticos lideram a procura, com 25% das demandas, à frente dos tratamentos cardiovasculares (21%) e da oncologia (15%).
No cenário internacional, o país também se destaca. Pela Pesquisa Global da ISAPS (Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética), o Brasil realizou 3,2 milhões de procedimentos estéticos em 2025, atrás apenas dos Estados Unidos, e lidera o ranking mundial de procedimentos cirúrgicos, com 2,3 milhões. “Quando o assunto é face, abdômen, glúteos e coxas, o mundo olha para cá. E os médicos brasileiros são reconhecidos pelos resultados que entregam e pelo cuidado que têm com o paciente”, afirma o médico.
Escuta e empatia como diferencial
A percepção se confirmou ao longo de 2026, quando Kirchhoff esteve no AMWC, em Mônaco, visitou a Clinique La Prairie, na Suíça, fez um curso de educação médica continuada da Harvard Medical School e palestrou para empresários em um cruzeiro pelo Mar Mediterrâneo, onde recebeu o Troféu Destaque. Quando contava ser médico brasileiro, encontrava curiosidade sobre a forma de atender. “As pessoas queriam saber como fazemos. Grande parte dos médicos brasileiros tem escuta ativa e empatia. A gente presta atenção no que o paciente diz, entende a queixa, a dor dele. Isso é muito valorizado lá fora.”
Para ele, a consulta é o centro do tratamento. É nela que o médico identifica o que é de fato sinal de envelhecimento, o que pode ou não ser tratado e o que está por trás do incômodo. Na visita à Clinique La Prairie, o que mais o marcou foi justamente o olhar sobre o percurso de cada pessoa, da avaliação ao plano individual e, depois do resultado, à manutenção e ao cuidado contínuo. “Medicina levada a sério é medicina centrada no paciente. É estudar cada pessoa, escolher o melhor caminho entre o que existe de disponível e ter tempo de qualidade para conversar, acompanhar e cuidar.”
Levar o padrão brasileiro
A experiência internacional mudou a forma como o médico enxerga o próprio trabalho. Para ele, o que hoje é debatido nos congressos lá fora já faz parte da prática de boa parte dos médicos brasileiros que atuam em medicina estética. “Ir para fora me mostrou que não preciso trazer um padrão de lá. O Brasil é referência em cuidado e beleza facial e corporal. Precisamos levar o nosso padrão.”
Na avaliação de Kirchhoff, quem vive no exterior procura médicos brasileiros pela combinação entre resultado técnico e atenção ao paciente: escuta ativa, empatia e acompanhamento contínuo, oferecidos em um país que está entre os maiores mercados de estética do mundo e que concentra em São Paulo a principal porta de entrada do turismo de saúde.








