Quem estuda longe do centro grande é quem mais ganha com a consulta pelo celular

A telessaúde embutida em cursos e instituições resolve um problema antigo do interior: a distância entre o aluno e a primeira consulta. O modelo já chega a estudantes de aviação e tende a se espalhar por outras formações

Em boa parte do interior brasileiro, o obstáculo ao atendimento de saúde não é o preço da consulta. É a distância até ela, o dia de trabalho ou de aula perdido no deslocamento, e a espera até que apareça uma vaga com o especialista mais próximo, que às vezes atende em outra cidade.

É esse problema específico que a telessaúde resolve melhor do que qualquer outra coisa. E é por isso que o modelo que vem sendo adotado por instituições de ensino tem um efeito diferente fora dos grandes centros.

O que muda para quem está longe

Quando uma escola inclui acesso a teleconsulta na jornada do aluno, o benefício não depende de rede credenciada, de convênio local nem de haver médico disponível na cidade. O estudante de um município pequeno acessa o mesmo aplicativo, com o mesmo tempo de espera, que o estudante da capital. Em formações a distância, que já eliminaram a barreira geográfica da sala de aula, essa equivalência fecha o círculo.

Os números nacionais mostram que a camada resolve mais do que se imagina: entre 2020 e 2025, o Painel de Indicadores da Saúde Digital Brasil registrou mais de 7,98 milhões de atendimentos de telessaúde, com 72,96% das demandas solucionadas sem necessidade de encaminhamento presencial. Levantamento da Fenasaúde apontou mais de 30 milhões de atendimentos remotos em 2023, alta de 172% sobre o triênio anterior.

Onde o modelo já aparece

O Centro Educacional de Aviação do Brasil, que forma comissários de bordo desde 1998 em cursos presenciais e a distância, incluiu na jornada dos alunos do curso de comissário o acesso ao aplicativo da Voxcare, com teleconsulta médica, apoio psicológico e orientação nutricional disponíveis 24 horas.

“A gente tem aluno que mora a duas horas do hospital mais próximo e faz o curso a distância justamente por isso. Não fazia sentido entregar formação sem barreira geográfica e deixar a saúde dele dependendo de um deslocamento”, afirma Salmeron Cardoso, diretor e CEO do CEAB.

O que a telessaúde não resolve

É importante marcar o limite, porque no interior a tentação de tratar a solução digital como substituta da rede física é maior. Telessaúde não faz exame, não realiza procedimento e não substitui atendimento presencial nos casos que exigem exame físico. O que ela faz é resolver a camada de orientação e triagem, evitando deslocamentos desnecessários e, quando o deslocamento for necessário, garantindo que ele aconteça com encaminhamento correto em vez de tentativa e erro.

Para uma região onde a viagem até o atendimento é a parte cara da consulta, essa distinção já representa uma diferença concreta no orçamento e no calendário de quem estuda ou trabalha longe.

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