SAÚDE

Quando o AVC acontece antes dos 45 anos: fatores de risco e sinais de alerta

Embora seja mais frequente com o envelhecimento, o Acidente Vascular Cerebral (AVC) também pode atingir adultos jovens. Dados da Rede Brasil AVC apontam que cerca de 18% dos casos no país ocorrem entre pessoas de 18 a 45 anos. O alerta ganhou força após a morte do arquiteto Talles Sousa, de 39 anos, em Goiás, vítima de um AVC. Segundo o neurocirurgião Dr. Marcos Spadoni, do Hospital Mater Dei Goiânia, a doença não é exclusiva de idosos e pode ocorrer em qualquer idade. Entre os fatores de risco estão hipertensão, diabetes, obesidade, sedentarismo, tabagismo, estresse, alterações no colesterol e sono inadequado. Nos pacientes jovens, a investigação também pode identificar condições específicas, como alterações cardíacas, distúrbios de coagulação, problemas nos vasos sanguíneos, uso de drogas estimulantes, dissecção de artérias do pescoço, forame oval patente e, em determinadas situações, a associação entre enxaqueca com aura, tabagismo e uso de anticoncepcional hormonal.

Um dos principais desafios é reconhecer os sintomas e procurar atendimento rapidamente. Em pessoas jovens, os sinais podem ser confundidos com enxaqueca, labirintite ou ansiedade. Os sintomas de alerta surgem de forma súbita e incluem desvio da boca, fraqueza ou formigamento em um dos lados do corpo, dificuldade para falar ou compreender, perda de visão, tontura intensa acompanhada de perda de equilíbrio e dor de cabeça súbita e muito forte. O AVC é uma emergência médica e, segundo o especialista, no AVC isquêmico estima-se que cerca de 2 milhões de neurônios sejam perdidos a cada minuto sem tratamento. A trombólise pode ser realizada em uma janela de até 4,5 horas, enquanto a trombectomia por cateter pode ser indicada, em casos selecionados, por até 24 horas. A demora aumenta o risco de sequelas permanentes, como paralisia, perda da fala, dependência e morte. Por isso, diante de qualquer sinal, a orientação é procurar imediatamente um serviço de emergência.

O tratamento segue os mesmos princípios independentemente da idade, mas, entre os jovens, a investigação da causa precisa ser mais aprofundada, com avaliação dos vasos sanguíneos, coração e coagulação. O especialista também destaca que o cérebro jovem apresenta maior capacidade de recuperação, o que torna a reabilitação precoce especialmente importante. A prevenção começa antes do surgimento dos sintomas e envolve o acompanhamento regular da pressão arterial, glicemia e colesterol, além de não fumar, evitar drogas estimulantes, praticar pelo menos 150 minutos de atividade física por semana, manter uma alimentação adequada e um peso saudável, cuidar do sono, controlar o estresse e moderar o consumo de álcool. O acompanhamento médico periódico, especialmente com neurologista e cardiologista quando houver fatores de risco, também é recomendado. “O AVC pode ser prevenido em muitos casos. Conhecer os próprios números, cuidar da saúde cardiovascular e manter acompanhamento são atitudes que protegem o cérebro e o coração ao longo da vida”, orienta Dr. Marcos.

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