Produtores do Centro-Oeste antecipam irrigação diante de El Niño forte em 2026

Risco de estiagem em parte da região pressiona decisão de investimento antes do plantio da safra 2026/27, que começa em setembro

Produtores do Centro-Oeste começam a tomar decisões de investimento em irrigação com meses de antecedência ao plantio da safra 2026/27. A Nota Técnica Conjunta divulgada em 19 de junho pelo INPE, pelo INMET, pela Funceme e pelo CENSIPAM aponta probabilidade superior a 95% de persistência do El Niño ao longo do segundo semestre de 2026, com potencial de intensidade forte a muito forte e possível extensão até o início de 2027.

Região está no raio de maior risco

O documento indica que o fenômeno tende a agravar a estiagem no Norte, no Nordeste e em partes do Centro-Oeste e do Sudeste, enquanto favorece chuvas acima da média no Sul. Estimativa de Eduardo Assad, professor da FGV (Fundação Getulio Vargas) e ex-secretário do Ministério do Meio Ambiente, projeta queda de 7% a 10% na produção brasileira de soja, milho, café e laranja em um cenário de El Niño forte, culturas centrais na economia goiana.

Indústria já sente a antecipação de pedidos

Na ponta de fornecimento, a Asperbras, fabricante de tubos e conexões de PVC e PEAD fundada em 1985, opera seis plantas industriais e capacidade de 60 mil toneladas por ano de PVC e 14 mil toneladas por ano de PEAD. “Quando o produtor lê um boletim climático em junho, o pedido de tubo chega em julho e agosto, porque ele precisa do sistema montado e testado antes da semeadura”, diz Thiago Rosa, Diretor Comercial da companhia.

Do lado do portfólio, a companhia trabalha com tubos em diâmetros de DN15 a DN500 e conexões de DN15 a DN150, faixa que cobre da condução principal aos ramais de distribuição. No cenário atual, ganha relevância o formato de projeto sazonal, em que o produtor testa a irrigação em uma área antes de imobilizar capital em estrutura fixa.

Com o plantio concentrado entre setembro e outubro nas principais regiões produtoras, o terceiro trimestre se torna o período decisivo: dimensionamento de projeto, aquisição de tubulação, montagem e teste de pressão consomem semanas antes da janela de semeadura.

Espaço para crescimento segue amplo

Levantamento da Embrapa com dados até outubro de 2024 mostrou que a área irrigada por pivôs centrais no Brasil cresceu mais de 14% em dois anos, atingindo 2,2 milhões de hectares, com a região Centro-Oeste entre as de maior concentração da técnica. Estudos da ANA (Agência Nacional de Águas) e do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional estimam o potencial irrigável do país em até 55 milhões de hectares. Segundo a ANA, a produção irrigada tem produtividade de duas a três vezes maior do que a de áreas de sequeiro.

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