Uma cirurgia para tratamento da endometriose marcará, nesta quinta-feira (8), o início da cirurgia robótica no Mater Dei Goiânia. O procedimento será o primeiro realizado na unidade com o sistema Da Vinci X e terá como cirurgião principal o Dr. Ary Wanderley de Carvalho Júnior, com participação de cirurgiões auxiliares. A chegada da tecnologia ocorre diante de uma doença que afeta entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva, segundo o Ministério da Saúde, e pode interferir diretamente na rotina e na fertilidade. Cólicas menstruais intensas, dor pélvica persistente, desconforto durante as relações sexuais, dor ao evacuar ou urinar e dificuldades para engravidar estão entre os principais sintomas da endometriose, uma doença inflamatória crônica caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio fora do útero. Dados do SUS ajudam a dimensionar o problema: em 2024, foram registrados 145.744 atendimentos relacionados à doença na Atenção Primária e 53.793 na Atenção Especializada, além de 19.554 internações, número 32% superior ao registrado em 2022.
O sistema Da Vinci X chegou ao hospital em 30 de setembro e passa a integrar procedimentos nas áreas de ginecologia, urologia e cirurgia geral. Na cirurgia robótica, o equipamento não atua de forma autônoma: o médico permanece no comando durante todo o procedimento e controla os instrumentos por meio de um console. A plataforma permite uma visão ampliada e tridimensional do campo cirúrgico, além de instrumentos articulados capazes de reproduzir os movimentos realizados pelo cirurgião com alto grau de precisão. A própria Rede Mater Dei já utiliza a cirurgia robótica em procedimentos ginecológicos e no tratamento de condições como miomas e endometriose, dentro da proposta de ampliar as possibilidades de intervenções minimamente invasivas. Entre os possíveis benefícios dessa abordagem estão menor agressão aos tecidos, menor sangramento, redução da dor no pós-operatório e recuperação mais rápida, sempre de acordo com a indicação médica e as características de cada caso.
A estreia da tecnologia foi precedida por uma preparação específica do centro cirúrgico, que recebeu adequações na estrutura, nos equipamentos e nos materiais necessários para os procedimentos. As equipes médicas e assistenciais também passaram por treinamento específico, enquanto os cirurgiões precisam cumprir requisitos próprios de habilitação e certificação para operar com a plataforma. O material técnico de implantação do programa prevê ainda recursos específicos para a realização das cirurgias com o sistema Da Vinci, além de cuidados próprios na preparação da sala e do paciente. Com a primeira operação, o Mater Dei Goiânia inicia um programa que tem como expectativa realizar cerca de 30 procedimentos robóticos por mês. Depois da cirurgia inaugural, a agenda será aberta para novos casos nas áreas de ginecologia, urologia e cirurgia geral, ampliando o uso da tecnologia na unidade.








