BRASIL

Pesquisa operacional: a ciência que o Capitão Roberto Farina leva às crises

Porta-voz da Defesa Civil de SP reúne Teltex, ITA e UFCG em plataforma que aplica modelos matemáticos a decisões tomadas sob pressão

Porta-voz da Defesa Civil de SP reúne Teltex, ITA e UFCG em plataforma que aplica modelos matemáticos a decisões tomadas sob pressão

Escolher qual estrada recuperar primeiro, para onde enviar recursos ou qual equipe deslocar são decisões comuns em uma crise, e quase sempre tomadas com informação incompleta. A Pesquisa Operacional, ramo da matemática aplicada que usa modelos para comparar alternativas, é a ferramenta que o Capitão Roberto Farina defende para apoiar esse tipo de escolha.

Como a pesquisa operacional apoia a decisão

Dentro da disciplina, os métodos de apoio multicritério à decisão permitem pesar critérios que puxam para lados opostos, como rapidez, custo, risco e alcance, e deixar explícito quanto vale cada um. O modelo torna a escolha auditável, o que facilita explicá-la depois a conselhos, órgãos de controle ou à própria equipe.

“A Pesquisa Operacional não tira a decisão do líder. Ela organiza as alternativas, deixa claro o peso de cada critério e reduz o espaço para o viés na hora em que todo mundo está cansado e com medo de errar”, conta Farina.

O problema observado em campo

O interesse de Farina pelo tema nasceu na Defesa Civil do Estado de São Paulo, onde atuou como porta-voz e acompanhou a atuação paulista no apoio ao Rio Grande do Sul durante as enchentes de 2024, que chegaram a 478 dos 497 municípios gaúchos.

“No Rio Grande do Sul, a informação existia. O problema é que ela chegava picada, por mensagem, por planilha, por ligação, e cada equipe enxergava um pedaço diferente da mesma tragédia”, diz Farina.

A experiência virou a dissertação “O papel da informação na gestão do conhecimento em desastres naturais: o caso da Defesa Civil de São Paulo na tragédia do Rio Grande do Sul”, defendida e aprovada em 2026 no Mestrado em Administração da ESPM.

Academia e defesa no mesmo projeto

O diagnóstico levou o Grupo NEOeX a um benchmark com o mercado de defesa e a uma parceria com Bruno Rosa, CTO da Teltex, empresa credenciada pelo Ministério da Defesa como EED (Empresa Estratégica de Defesa). Daí nasceu a proposta de uma plataforma autônoma de superioridade decisória, liderada pela Teltex. A base científica vem do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), com coordenação do Comandante Marcos dos Santos, oficial da Marinha do Brasil com mais de 30 anos dedicados à Pesquisa Operacional e à tomada de decisão em Defesa, e participação do professor Miguel Lellis, do ITA Fortaleza. A UFCG (Universidade Federal de Campina Grande), quarta colocada nacional em depósitos de patentes de invenção no Anuário 2025 do INPI, com 84 pedidos, completa o grupo. O arranjo segue o desenho que o Ministério da Defesa estimula para a BID (Base Industrial de Defesa), setor que a pasta estima em 3,58% do PIB.

“A plataforma nasce para que a próxima crise encontre líderes mais preparados, com a informação organizada em tempo real e o conhecimento da última operação disponível para a seguinte”, afirma Farina.

Do modelo matemático à formação de líderes

A ciência da decisão também chega às pessoas. Pelo Grupo NEOeX, que tem experiência na segurança de shopping centers, Farina oferece treinamento para capacitar profissionais de segurança privada a assumir cargos de liderança e chefia, com conteúdos de tomada de decisão, análise de risco, gerenciamento de crise e gestão de KPIs.

“Crise não pede só gestão, pede liderança. E liderar sob pressão não pode depender apenas da intuição de quem está no comando nem da memória de quem estava lá”, diz.

Na tomada de decisão, a pesquisa operacional organiza as alternativas e explicita o peso de cada critério, e é essa lógica que Farina leva para a plataforma e para a formação de líderes. Mais informações estão no site do Grupo NEOeX.

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