ECONOMIA

Parque Leolídio di Ramos Caiado se consolida como refúgio de lazer, esporte e convivência na região norte de Goiânia

Inaugurado em 2010, espaço de quase 124 mil metros quadrados reúne lagos, áreas verdes, ciclovia, pista de caminhada e equipamentos de lazer; profissionais responsáveis pelo projeto relembram os desafios de implantação e a transformação da área.

Na região norte de Goiânia, o Parque Leolídio di Ramos Caiado se tornou um dos principais espaços de lazer, prática esportiva e convivência para moradores do Setor Goiânia 2 e bairros vizinhos. Aos fins de semana, o local recebe famílias, grupos de amigos e praticantes de atividades físicas que aproveitam a estrutura para caminhar, pedalar, fazer piqueniques ou visitar a feirinha. A extensa área arborizada também atrai quem procura um ambiente tranquilo para descansar e aproveitar o contato com a natureza.

A importância do parque para a população pode ser percebida entre os frequentadores. A pedagoga Brenda Almeida, que mora no Setor Industrial Paulista, costuma visitar o espaço com o marido. Ela destaca a arborização e a feira realizada aos domingos como alguns dos principais atrativos. “É o parque de que mais gostamos, por ser arborizado e porque tem a feirinha no domingo”, afirma. O casal Pedro Egídio e Ana Paula Lemos, moradores do Jardim Curitiba 2, também está entre os frequentadores assíduos.

Para quem pratica esportes, o parque representa ainda uma importante opção de treinamento. Morador do Goiânia 2, o ex-servidor público Weber de Paula Oliveira Barbosa, de 44 anos, utiliza o espaço pelo menos quatro vezes por semana. Atleta de trail running, modalidade de corrida em trilhas, ele é o único goiano a participar da Ultra-Trail du Mont-Blanc (UTMB), uma das principais ultramaratonas de montanha do mundo. No parque, divide os treinos entre corrida e ciclismo. “Nele eu faço corrida e treino de bicicleta”, conta.

Inaugurado em 2010, o Parque Leolídio di Ramos Caiado possui quase 124 mil metros quadrados e está entre os maiores espaços públicos de lazer da capital goiana. A estrutura reúne dois lagos, playground, pista de caminhada, ciclovia e áreas destinadas ao descanso. O espaço também conta com gramados extensos, locais para piquenique e um pet place, ambiente voltado aos animais de estimação. A proposta é oferecer infraestrutura para diferentes atividades, contemplando públicos de diversas idades e incentivando a prática de exercícios físicos e o convívio social.

Projeto nasceu das características naturais da área

A concepção do parque levou em consideração as condições ambientais do terreno. A arquiteta e paisagista Yara Hasegawa, responsável pelo projeto a convite da Tropical Urbanismo, relembra que a região norte de Goiânia ainda não contava com um espaço público de lazer daquele porte. Segundo ela, as características geográficas da área foram determinantes para o desenvolvimento da proposta.

O terreno apresentava formato de U e um lençol freático abundante, com pontos de acúmulo de água que permaneciam mesmo durante os períodos mais quentes do ano. Em vez de tratar essa característica como um obstáculo, a equipe decidiu incorporá-la ao projeto paisagístico, utilizando a água como elemento central da composição do parque.

“Foi uma honra poder trabalhar ali, porque a região norte não tinha um parque desse porte. A inspiração para desenvolvê-lo foi seu formato de U e com um lençol freático muito pujante. A gente tinha uma insurgência de água que sempre ficava empossada, mesmo nas épocas mais quentes do ano, então pensamos em transformar isso num lago e o parque acontecer no entorno desse grande lago”, relembra Yara.

Estrutura pensada para diferentes públicos

O projeto foi desenvolvido para atender pessoas de diferentes faixas etárias e necessidades. Entre os equipamentos previstos estão pista de bicicleta bidirecional, pista de caminhada, estação de ginástica, quiosques, parque infantil e dois lagos.

Um dos diferenciais destacados pela arquiteta é a oferta semanal de brinquedos adaptados para crianças com necessidades especiais. Os equipamentos são instalados em uma área próxima ao primeiro lago, considerada privilegiada dentro do parque.

Yara ressalta que a proposta também buscou recuperar uma área que anteriormente estava degradada e sem utilização, aproveitando suas características naturais e transformando o espaço em um ambiente de convivência. Para ela, a efetiva utilização pela população é um dos principais indicadores de que o projeto alcançou seu objetivo.

“Eu, como arquiteta e paisagista, sou uma entusiasta de áreas públicas que de fato funcionam. Saber que você está entregando uma área que estava degradada, sem utilização, e transformá-la pensando no potencial ecológico dela, de um ambiente de recursos naturais, mas dando um cunho social para ele é muito gratificante”, destaca.

Implantação exigiu cuidado ambiental

A execução do projeto ficou sob responsabilidade do engenheiro civil Raphael Gualberto. Segundo ele, a implantação exigiu atenção especial às características do terreno, principalmente em relação à preservação da vegetação remanescente.

O trabalho foi realizado em uma área que já havia sofrido intervenções humanas, o que tornou necessário conciliar a implantação da infraestrutura com os cuidados ambientais. Apesar dos desafios técnicos, o parque foi concluído em um período de apenas um ano.

“Foi um desafio, pois trata-se de um local que a intervenção foi criteriosa no sentido de preservação dos remanescentes vegetais em uma área já antropizada”, afirma o engenheiro. Ele também destaca a dimensão do espaço e sua capacidade de atender aos moradores da região. “É um espaço bastante generoso para atender a população da região”, pontua.

A transformação do terreno também representa, para os profissionais envolvidos, a recuperação de uma área que antes acumulava lixo e entulho. Raphael Gualberto ressalta a satisfação de entregar um ambiente com uma nova função ambiental e social, destinado ao lazer e à qualidade de vida da população.

“Muita felicidade por transformar uma área abandonada, degradada pelo acúmulo de lixo e entulho em um local sustentável, do ponto de vista ambiental, e um espaço de lazer para as pessoas da região que estava faltando até aquele momento”, afirma.

Yara Hasegawa também destaca a satisfação de acompanhar a ocupação do espaço pela comunidade. Para a arquiteta, ver a população utilizando a estrutura demonstra que a proposta de transformar a área em um ambiente público de convivência está cumprindo sua finalidade.

“É uma sensação de gratidão de dever cumprido e eu fico extremamente feliz. E quando essas áreas são implantadas e ela tem uso é sinal de que o projeto está caminhando para um lugar certo”, conclui.

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