COLUNAS

O líder que resolve tudo pode comprometer o desempenho e a autonomia da equipe

O modelo tradicional de liderança, baseado no comando e controle, vem dando lugar a uma atuação mais complexa, que exige dos gestores habilidades para administrar pessoas, estimular o desenvolvimento profissional e criar ambientes de confiança e colaboração. Se antes a principal expectativa era garantir que os recursos e as equipes fossem gerenciados para alcançar resultados, hoje os líderes também precisam direcionar, inspirar e engajar os colaboradores. A avaliação é de Susana Azevedo, coach e sócia-proprietária da Quantum Development, que destaca como as novas exigências tornaram a função mais desafiadora.

As transformações no mercado de trabalho, impulsionadas pelo avanço tecnológico, pelas mudanças na economia e pelas tensões geopolíticas, também ampliaram as responsabilidades da liderança. Alterações nas cadeias de suprimentos, disputas por recursos e tecnologias, além da crescente importância das pautas ambientais e sociais, passaram a influenciar as estratégias das organizações. Nesse cenário, o desengajamento e a rotatividade de funcionários representam desafios adicionais para as empresas, que precisam se adaptar a um ambiente cada vez mais complexo e interconectado.

Diante desse contexto, Susana aponta a inteligência emocional como uma das principais competências para os novos líderes. A habilidade envolve reconhecer e administrar as próprias emoções, compreender os sentimentos das pessoas ao redor e desenvolver relações profissionais baseadas na empatia. A comunicação eficaz também ganha importância, pois contribui para fortalecer a confiança, alinhar expectativas, transmitir clareza e facilitar conversas difíceis, especialmente quando existem opiniões e perspectivas diferentes dentro das equipes.

Outra competência destacada é a resiliência, entendida como a capacidade de enfrentar dificuldades com flexibilidade e disposição para aprender com os desafios. A gestão da mudança também se torna indispensável, já que os líderes precisam avaliar quais transformações estão alinhadas aos objetivos da organização e conduzir os processos de adaptação. Segundo Susana, a implementação constante de mudanças sem clareza pode provocar desgaste entre os colaboradores e aumentar a resistência interna.

O desenvolvimento do pensamento criativo e analítico aparece entre as habilidades consideradas relevantes para os próximos anos. O relatório do Fórum Econômico Mundial de 2023 aponta essas competências como importantes tanto para líderes quanto para colaboradores no período de 2023 a 2027. A criatividade e a capacidade de encontrar soluções ganham espaço diante da crescente complexidade do ambiente profissional. Também se destaca a construção de equipes de alta performance, com trabalho colaborativo e responsabilidade compartilhada.

A literacia digital e tecnológica completa a lista de competências apontadas pela especialista. Em um cenário no qual a tecnologia conduz boa parte das transformações empresariais, os gestores precisam compreender as ferramentas disponíveis, seus impactos nos negócios e os riscos associados à utilização. Isso não significa necessariamente possuir formação especializada em tecnologia da informação, mas ter conhecimento suficiente para tomar decisões, utilizar os recursos de maneira ética, capacitar equipes e identificar profissionais preparados para conduzir a transformação digital.

Na avaliação de Susana Azevedo, o líder do futuro terá uma atuação mais generalista e deverá funcionar como um articulador de diferentes competências dentro da organização. O modelo exige maior delegação de responsabilidades, autonomia e participação das equipes nas decisões. A especialista também destaca a necessidade de conciliar a gestão das atividades atuais com o planejamento de longo prazo, desenvolvendo a capacidade de lidar simultaneamente com diferentes desafios e demandas.

A proposta é substituir a concentração de decisões em uma única pessoa por uma liderança compartilhada, na qual os profissionais tenham mais espaço para contribuir e assumir responsabilidades. Dessa forma, o papel do gestor deixa de estar restrito à resolução de problemas e passa a envolver a construção de equipes capazes de atuar de maneira independente, colaborativa e preparada para as constantes transformações do mercado.

Sobre a Quantum Development

Criada em 2021 por Bianca Aichinger e Susana Azevedo, a Quantum Development atua no desenvolvimento de equipes de liderança de alta performance, com foco na profissionalização das empresas e na transformação da cultura organizacional. As sócias-fundadoras possuem mais de duas décadas de experiência no mercado corporativo nacional e internacional. Entre as empresas atendidas pela consultoria estão o Grupo Leveros e a Uappi.

O que você achou?