Levantamento com 24 operadoras mostra índices de 4,50% a 16,74% no ciclo 2026/2027 e reforça a análise do histórico antes da assinatura
A escolha de um plano de saúde empresarial costuma ser feita pela mensalidade inicial e pela rede credenciada. O reajuste, que define quanto o benefício vai custar nos anos seguintes, entra menos na comparação do que deveria.
Um levantamento da corretora United Planos de Saúde reuniu os comunicados de reajuste de 24 operadoras para o ciclo de maio de 2026 a abril de 2027. O menor índice informado foi de 4,50% e o maior, de 16,74%, uma diferença de mais de doze pontos percentuais.
“O número que a empresa recebe não é aleatório, mas também não é padrão de mercado”, diz Adriano Fernandes, diretor comercial da United. “Por isso, a comparação precisa acontecer antes da assinatura, não depois da carta de aumento.”
Quatro informações para pedir antes de assinar
A comparação é possível porque o índice dos contratos com menos de 30 vidas tem divulgação obrigatória e pública. A recomendação é solicitar por escrito, ou consultar no site de cada operadora:
- o percentual do agrupamento nos três últimos ciclos, já que uma sequência revela mais do que um índice baixo isolado;
- a metodologia de cálculo prevista no contrato;
- o número de vidas adotado para formar o agrupamento e eventuais segmentações;
- a data de aniversário do contrato, que determina o mês de aplicação do reajuste.
Por que o porte da empresa muda a análise
A RN 565 (Resolução Normativa nº 565), de 2022, da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), obriga cada operadora a agrupar os contratos coletivos com menos de 30 beneficiários e a aplicar a todos o mesmo percentual. Para a empresa pequena, o histórico do agrupamento é o dado que mais importa, porque o uso da própria equipe não define o índice.
“É uma proteção e é também uma perda de controle”, afirma Fernandes. “A empresa não é penalizada por uma internação que aconteceu na sua equipe. Em compensação, usar pouco o plano não garante reajuste menor.”
Esse grupo registrou reajuste médio de 14,24% em 2025, contra 9,62% nos contratos maiores, segundo o Painel de Reajustes de Planos Coletivos da ANS.
Com 30 vidas ou mais, o percentual é negociado a partir da sinistralidade do contrato, a relação entre mensalidades e gastos com atendimento. Nesse caso, além do histórico da operadora, pesa o perfil de uso do próprio grupo.
Referências para a negociação
Três números ajudam a calibrar a proposta. O teto dos planos individuais e familiares no ciclo é de 5,11%. A média dos coletivos médico-hospitalares foi de 10,76% em 2025 e de 9,9% nos dois primeiros meses de 2026, segundo a ANS. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acumulou 4,22% em 12 meses até agosto de 2026, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Para quem já tem contrato e recebeu índice fora do esperado, a portabilidade de carências permite migrar aproveitando o tempo cumprido, desde que atendidos os requisitos da ANS.
Comparar operadoras pelo histórico de reajuste, e não só pela mensalidade de entrada, é o passo que reduz surpresas depois da assinatura. As opções de plano de saúde empresarial para pequenas empresas podem servir de ponto de partida.








