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Mais da metade do orçamento de IA generativa vai para vendas e marketing, mas a Crosoften vê o retorno maior nos bastidores

Relatório do MIT mostra descompasso entre onde as empresas investem e onde a inteligência artificial gera ganho; segundo a Crosoften, projetos de automação de processos internos costumam se pagar, em média, em três meses

Relatório do MIT mostra descompasso entre onde as empresas investem e onde a inteligência artificial gera ganho; segundo a Crosoften, projetos de automação de processos internos costumam se pagar, em média, em três meses

As empresas estão concentrando o investimento em inteligência artificial fora das áreas onde ela mais rende. Relatório da iniciativa NANDA, do MIT, aponta que vendas e marketing ficam com mais da metade dos orçamentos de IA generativa, enquanto o ganho mais expressivo aparece nos bastidores: nas áreas administrativas e de suporte, a exemplo da automação de processos internos.

O descompasso ajuda a entender por que tantos projetos não mostram resultado. No mesmo levantamento, 95% dos projetos corporativos de IA generativa não geraram ganho mensurável de receita ou eficiência. Para a Crosoften, que nasceu em 2003 e hoje atua como empresa de engenharia de software, o caminho passa por mudar o alvo e começar pelos processos que geram retrabalho e erro humano.

Por que o retorno está nos bastidores

A explicação está na natureza dessas rotinas. Processos internos costumam ser repetitivos, ter etapas bem definidas e depender de conferência manual, o que os torna sujeitos a retrabalho e a erro. É um terreno em que o efeito da automação aparece no dia a dia e pode ser medido, ao contrário de iniciativas de vitrine, cujo impacto no resultado é mais difícil de isolar. Projetos em vendas e marketing tendem a ser mais visíveis, dentro e fora da empresa. Visibilidade, porém, não é o mesmo que retorno, e é essa diferença que o levantamento do MIT expõe.

Onde estão os ganhos

De acordo com a empresa, os resultados medidos em seus projetos aparecem sobretudo em rotinas internas, quando o objetivo é cortar retrabalho e reduzir erro humano. Nesses casos, o investimento costuma ser recuperado, em média, em três meses. “A inteligência artificial deixou de ser vitrine. O executivo hoje não pergunta se dá para fazer; pergunta em quantos meses o projeto se paga”, afirma Rafael Melo, diretor técnico da Crosoften.

Como chegar ao retorno

Para transformar a teoria em resultado, a empresa coloca o contrato antes do código. Primeiro vem um acordo de confidencialidade (NDA); depois, um diagnóstico técnico e de riscos; por fim, a proposta, que fixa escopo, preço e prazo. A entrega leva em média 60 dias, com pagamentos por etapa.

Para Melo, o tropeço mais comum acontece antes da tecnologia. “A maioria dos projetos de IA não falha por causa do modelo. Falha porque começou sem escopo, sem dono e sem um contrato que proteja as duas partes”, diz. O prazo curto, segundo ele, ajuda a manter o foco no que importa. “Prazo fechado obriga disciplina. Em 60 dias não cabe experimento sem fim. Cabe um problema real resolvido”, completa.

O risco de errar o alvo aparece também nas projeções da Gartner, segundo as quais mais de 40% das iniciativas com IA agêntica devem terminar canceladas. Entre as causas listadas estão o aumento dos custos, um valor de negócio que não se materializa com clareza e a falta de controles de risco adequados.

Nascida como portal de buscas e publicidade online, a Crosoften, avaliada em mais de R$ 120 milhões, acumula hoje mais de 2.500 projetos, tem clientes em mais de 10 países e mantém operações no Brasil, no Chile e no Panamá.

Onde investir primeiro

Para quem decide onde aplicar a tecnologia, os dados do MIT e a experiência relatada pela Crosoften apontam na mesma direção: o maior retorno está nos processos administrativos e de suporte, como a automação de rotinas internas, e não necessariamente nas áreas que hoje concentram a maior fatia do orçamento. Para Melo, a ordem também importa. “O caminho não é transformar a empresa inteira de uma vez. É escolher o processo que mais dói, resolver bem, medir e então escalar”, diz.

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