BRASIL

Juros, petróleo e eleição: os três fatores que movem o dólar em setembro e o que o exportador do agro faz com isso

A moeda recuou abaixo de R$ 5,10 com Brent perto de US$ 98, fluxo estrangeiro para a bolsa e pesquisas eleitorais no radar. Para o exportador de grãos e proteína, o cenário pede fixar em parcelas, não esperar

A moeda recuou abaixo de R$ 5,10 com Brent perto de US$ 98, fluxo estrangeiro para a bolsa e pesquisas eleitorais no radar. Para o exportador de grãos e proteína, o cenário pede fixar em parcelas, não esperar

Três forças explicam o dólar de setembro. A primeira é o petróleo: o Brent perto de US$ 98, em meio à tensão no Oriente Médio, melhora os termos de troca do Brasil e atrai fluxo. A segunda são os juros: o Boletim Focus elevou a projeção do IPCA para os 12 meses à frente de 4,53% para 4,60%, e o diferencial de juros segue no radar. A terceira é a eleição, com primeiro turno em 4 de outubro e segundo em 25 do mesmo mês, que coloca prêmio de risco e amplitude na cotação.

O resultado foi um dólar abaixo de R$ 5,10 em 8 de setembro, com queda de 6,54% no ano, enquanto o Ibovespa acumula alta de 14,91%. Em maio, a GX Capital havia projetado pico de R$ 5,55 no trimestre; o nível não veio.

“Nas quatro semanas até o primeiro turno a variável não é o nível, é a amplitude: a mesa trabalha com bandas diárias mais largas e reduz o tamanho de cada tranche para caber nelas. É o mesmo hedge em camadas, com o passo mais curto”, afirma Vinicius Teixeira, sócio da GX Capital.

Para o exportador de soja, milho e carne do Centro-Oeste, o dólar mais baixo antes da eleição cria a tentação de segurar a liquidação dos embarques de outubro à espera do prêmio. A mesa recomenda o contrário: NDF de venda escalonado até o segundo turno, fixando a receita em parcelas, e ACC sobre o pipeline de embarques para antecipar o caixa. O playbook Exportação Premium simula R$ 245 mil por mês de receita adicional numa operação de soja com hedge em camadas.

“Do lado do exportador, dólar mais baixo antes da eleição é o motivo para não vender o embarque de outubro no spot. NDF de venda escalonado até o segundo turno e ACC sobre o pipeline mantêm o prêmio da janela dentro da empresa”, diz Teixeira.

O que vem depois de 4 de outubro depende do resultado: definição no primeiro turno tende a acomodar a moeda rápido; segundo turno estende a amplitude por três semanas. Na GX, o dimensionamento das parcelas passa pelo Auron IA, tecnologia própria no aplicativo do cliente. Para o produtor, a pergunta de setembro é a proporção da safra já fixada antes do dia 4.

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