Automação na apuração e no cruzamento de dados traz produtividade, mas um erro pode se repetir em milhares de operações, alerta a RZ3
Na frente fiscal e tributária, a inteligência artificial chegou com uma promessa difícil de ignorar: classificar, apurar, analisar e cruzar informações em muito menos tempo. Para a RZ3, o ganho de produtividade é real, mas vem com um risco do mesmo tamanho. Um erro humano costuma acontecer de forma isolada. Já uma falha incorporada a um processo automatizado pode se repetir centenas ou milhares de vezes antes de ser percebida.
Escala para o acerto e para o erro
É o outro lado da equação. A mesma capacidade que permite processar grandes volumes de notas, lançamentos e cruzamentos faz com que um parâmetro equivocado se espalhe por toda a operação. Se o sistema parte de uma premissa errada na classificação ou na apuração, o erro passa a acompanhar cada novo lançamento até que alguém perceba. Por isso, na avaliação da RZ3, usar IA em processos fiscais não dispensa controles, validação, rastreabilidade e revisão compatíveis com a relevância de cada operação.
Outro ponto de atenção é a confiança excessiva. Quanto melhor a ferramenta parece funcionar, maior a tentação de reduzir a revisão humana, e é justamente aí que parte do risco se forma. Para a RZ3, a IA deve ampliar a capacidade dos profissionais, não eliminar o controle humano onde ele é necessário.
Uma adoção que acelerou
A tecnologia ganhou espaço rapidamente. Segundo a PINTEC Semestral, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a parcela de indústrias com 100 ou mais empregados que usam IA passou de 16,9% em 2022 para 41,9% em 2024, com administração (87,9%) e comercialização (75,2%) entre as áreas que mais utilizam. Considerando empresas de todos os portes, a TIC Empresas 2025, do Cetic.br (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação), aponta uso por 17% das companhias.
Para a RZ3, o problema é que a IA foi incorporada a áreas sensíveis, como fiscal, financeiro e jurídico, sem que muitas organizações definissem quem pode usá-la, quais informações podem ser processadas, quem aprova o uso, quem audita os resultados e como os erros serão corrigidos.
Dados sensíveis fora do radar
Há ainda o uso informal. Pesquisa internacional da PagerDuty com 1.250 profissionais, divulgada em junho de 2026, mostrou que 88% já compartilharam informações de trabalho, como dados de clientes, em ferramentas públicas, e 66% usaram ferramentas de IA que acreditavam ser proibidas. Em áreas que lidam com dados financeiros e cadastrais, esse comportamento amplia a exposição à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados). A ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados) incluiu, pela primeira vez, um eixo dedicado à IA em seu Mapa de Temas Prioritários de fiscalização para 2026 e 2027, com 75 ações previstas. Pela Resolução CD/ANPD nº 15/2024, incidentes de segurança com risco ou dano relevante aos titulares precisam ser comunicados à agência em até três dias úteis.
Controle proporcional ao risco
A resposta, segundo a RZ3, está em estruturar a governança operacional da IA, e não em frear a tecnologia. No ambiente fiscal, isso significa mapear onde a ferramenta já atua, classificar o risco de cada aplicação, definir responsáveis, manter registros e evidências e determinar em quais etapas a revisão humana continua obrigatória.
O PL 2338/2023, que cria o marco legal da IA, segue em comissão especial da Câmara dos Deputados, mas a RZ3 avalia que esperar a lei pode ser um erro. Na área fiscal, onde uma falha automatizada se multiplica, o risco de usar IA sem controle está justamente na escala: quanto maior a automação, maior a necessidade de validação e rastreabilidade.








