BRASIL

IA muda tarefas, mas mantém o tamanho da equipe em 90% dos pequenos negócios

Levantamento do Sebrae mostra uso voltado a aprimorar o trabalho existente; GestãoPro vê mais tempo para atividades estratégicas

Levantamento do Sebrae mostra uso voltado a aprimorar o trabalho existente; GestãoPro vê mais tempo para atividades estratégicas

A chegada da inteligência artificial aos pequenos negócios brasileiros tem alterado a forma de trabalhar, mas não o tamanho das equipes. Segundo a pesquisa Transformação Digital nos Pequenos Negócios 2026, do Sebrae em parceria com o Meta Instituto de Pesquisa, 90% das empresas que usam IA não mudaram o número de funcionários nos últimos seis meses por causa da tecnologia. Outras 5% reduziram o quadro e 3% contrataram mais. O levantamento ouviu 7.182 entrevistados entre MEIs (microempreendedores individuais), microempresas e empresas de pequeno porte.

O uso mais citado foi aprimorar tarefas que os colaboradores já executavam (28%), seguido da criação de novas funções (19%). Para a GestãoPro, empresa brasileira de ERP (sistemas de gestão empresarial) fundada em 2009 em Manduri (SP), o principal benefício da IA para as empresas nos próximos anos será liberar o tempo das equipes para atividades mais estratégicas.

Adoção em expansão

O uso da tecnologia avança em diferentes recortes. Na mesma pesquisa do Sebrae, 52% dos empreendedores usaram IA nas atividades do negócio nas duas semanas anteriores à entrevista, e 60% pretendem adotar ou ampliar o uso no próximo semestre. Entre empresas com dez ou mais funcionários, a 16ª edição da TIC Empresas, do Cetic.br (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação), aponta alta de 13% para 17% entre 2024 e 2025, e de 10% para 15% nas pequenas, com 10 a 49 funcionários. As medições têm recortes diferentes: a do Cetic.br considera o uso pela empresa, e a do Sebrae, o uso pelo empreendedor no dia a dia.

Onde o tempo da equipe é liberado

Nos pequenos negócios, a economia de tempo é o benefício mais percebido, citado por 34% das micro e pequenas empresas em pesquisa do Sebrae com o FGV IBRE (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), divulgada em dezembro de 2025. Hoje, a maior parte do uso está em marketing e divulgação (59%), e a análise de dados aparece com 30%. Na gestão, a tendência é que a IA assuma primeiro tarefas repetitivas, como conciliação de dados, emissão de relatórios e organização financeira, para depois apoiar a identificação de padrões de consumo, a previsão de demanda e a sinalização de riscos.

“A inteligência artificial não substitui a gestão, mas amplia a capacidade de quem toma decisões. O dono do negócio continua decidindo. O que muda é a quantidade de informação organizada que ele tem em mãos na hora de decidir”, afirma Edson Souza, diretor da GestãoPro.

Novas rotinas para incorporar a ferramenta

A mudança exige reorganização. Segundo o Sebrae, 46% dos pequenos negócios precisaram desenvolver novos fluxos de trabalho para incorporar as ferramentas de IA. Definir quem acompanha e confere os resultados nas primeiras semanas, revisar cadastros antes de automatizar e começar por uma tarefa fácil de medir estão entre os cuidados que ajudam nessa transição. Segundo o Cetic.br, 80% das empresas que usam IA adquiriram sistemas prontos para uso. A proteção dos dados de clientes, prevista na LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), também entra na lista, sobretudo porque 30% das micro e pequenas empresas declararam não ver nenhuma dificuldade no uso da IA, resultado que os pesquisadores do Sebrae e do FGV IBRE associam, em parte, a um cuidado menor com informações sigilosas.

“A adoção tende a ser gradual. Começa pelos processos internos e avança para áreas mais complexas conforme a empresa ganha familiaridade com a tecnologia e confiança nos próprios dados”, diz Souza.

Na avaliação da GestãoPro, os dados indicam que a IA tende a redistribuir o trabalho dentro das equipes, com menos horas em tarefas repetitivas e mais atenção à análise e ao atendimento, desde que as empresas organizem os próprios dados e acompanhem de perto o que a tecnologia entrega.

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