BRASIL

Goiânia faz 93 anos com 51 atrações no Centro e uma história cultural que vai além do sertanejo

Goiânia completa 93 anos no próximo sábado, 24 de outubro, com uma programação que reúne 51 atrações no Centro da capital, apresentações de artistas nacionais, atividades culturais e ocupação de espaços históricos. A celebração ocorre em uma cidade cuja identidade artística ultrapassa o sertanejo e inclui música popular brasileira, rock, cinema, teatro, artes visuais e movimentos culturais que ajudaram a construir sua trajetória.

O Festival Viva Goiânia, organizado pela Prefeitura, distribui atividades por diferentes regiões. A programação especial do aniversário concentra parte das apresentações na Avenida Goiás e na antiga Estação Ferroviária, espaço que integra o patrimônio arquitetônico e afetivo da cidade.

A escolha do Centro para receber os eventos também coloca em evidência uma questão recorrente na política cultural: como transformar comemorações pontuais em iniciativas permanentes de valorização dos espaços públicos e preservação da memória urbana?

1. Seu Jorge e Murilo Huff dividem o palco principal

A antiga Estação Ferroviária recebe duas das atrações anunciadas para o aniversário. Seu Jorge tem apresentação prevista para as 20h30, enquanto o sertanejo Murilo Huff sobe ao palco às 22h30.

A programação reúne públicos com hábitos musicais diferentes. Seu Jorge construiu uma carreira ligada ao samba, ao soul e à música popular brasileira, enquanto Murilo Huff integra uma geração do sertanejo marcada pela distribuição digital e pela circulação em grandes eventos.

O encontro desses repertórios representa parte da diversidade musical consumida pelos moradores da capital.

2. Zeca Baleiro, Sandra Sá e Kamisa 10 ocupam o palco Brasilidade

O palco Brasilidade, na Rua 61, concentra apresentações de diferentes gêneros. Zeca Baleiro tem show programado para as 16h30, Kamisa 10 para as 19h e Sandra Sá para as 22h.

Zeca Baleiro combina referências da música popular, do rock e de ritmos brasileiros. Sandra Sá mantém uma trajetória associada à soul music nacional, enquanto Kamisa 10 representa o pagode contemporâneo.

A distribuição dos artistas por espaços diferentes permite que o público circule pelo Centro durante a programação.

3. O Centro volta a ser espaço de convivência cultural

A realização de apresentações na Avenida Goiás e na Estação Ferroviária recupera temporariamente uma função histórica do Centro: receber encontros, celebrações e manifestações coletivas.

A região concentra edifícios, praças e equipamentos que integram a formação de Goiânia. Apesar disso, sua utilização cultural ao longo do ano não acompanha necessariamente a dimensão de seu patrimônio.

O aniversário constitui uma oportunidade para discutir como ampliar a presença da população nesses espaços depois que terminarem os shows.

Mais do que realizar eventos, políticas culturais podem contribuir para manter atividades regulares, estimular pequenos empreendimentos e fortalecer a circulação de moradores pela região central.

4. Martim Cererê completa 38 anos

O Centro Cultural Martim Cererê tem uma data especialmente relacionada ao aniversário de Goiânia. Inaugurado em 20 de outubro de 1988, o espaço completa 38 anos nesta semana.

Projetado pelo arquiteto Gustavo Veiga, o complexo surgiu da transformação de antigos reservatórios de água em espaços destinados à produção artística.

Localizado no Setor Sul, o Martim Cererê consolidou sua relação com o teatro, a dança, o cinema e, especialmente, com a produção musical independente.

Sua história permite compreender como a reutilização de estruturas urbanas pode contribuir para a criação de espaços culturais.

5. Museus preservam a Goiânia que não aparece nos shows

As comemorações também oferecem uma oportunidade para conhecer instituições dedicadas à memória da capital.

Criado em 1988, o Museu da Imagem e do Som de Goiás (MIS) reúne fotografias, discos, documentos, gravações sonoras e materiais audiovisuais relacionados à história do estado.

O acervo preserva registros de lugares, acontecimentos e manifestações culturais que ajudam a reconstruir a vida urbana ao longo das décadas.

Outro exemplo é o Museu Pedro Ludovico, instalado na antiga residência do fundador de Goiânia. A instituição reúne aproximadamente 8,5 mil documentos e 1,8 mil peças, entre móveis e objetos pessoais.

Essas coleções permitem compreender aspectos da construção da cidade que ultrapassam os registros oficiais das inaugurações e dos governos.

6. Goiânia também tem espaço para literatura

A programação cultural desta semana não se resume aos shows de aniversário.

Na quarta-feira (21), o Clube de Leitura Leia–IFG promove uma discussão sobre o livro Rinha de Galos, da escritora equatoriana María Fernanda Ampuero.

A atividade integra uma programação literária que amplia o contato do público com autores latino-americanos.

Encontros de leitura também representam uma modalidade de atividade cultural acessível a quem procura experiências fora do circuito de grandes apresentações musicais.

7. A música de Goiás não cabe em um único gênero

O reconhecimento nacional de Goiânia como um dos centros de produção do sertanejo não elimina a presença de outros movimentos musicais.

A cidade possui trajetórias relacionadas ao rock independente, à música instrumental, à MPB, ao rap, à música eletrônica e a manifestações tradicionais.

Artistas, produtores, casas de espetáculo e espaços de formação contribuíram para a construção desses circuitos.

No aniversário de 93 anos, a presença de diferentes estilos na programação permite observar essa pluralidade. O desafio cultural permanece na manutenção de oportunidades para artistas locais durante os demais meses do ano.

8. Cultura também faz parte da economia da cidade

Shows e festivais mobilizam trabalhadores que atuam fora dos palcos. Técnicos de som, profissionais de iluminação, músicos, produtores, comerciantes, equipes de segurança e prestadores de serviços integram a cadeia de atividades movimentada pelos eventos.

A ocupação de espaços urbanos pode beneficiar estabelecimentos comerciais e ampliar a circulação de consumidores.

Entretanto, o impacto econômico precisa ser avaliado por indicadores concretos, como público, gastos realizados, contratações e participação de fornecedores locais.

Sem esses números, não é possível determinar quanto a programação acrescentou à economia municipal.

9. Aniversário também é oportunidade para conhecer o patrimônio Art Déco

Goiânia foi planejada na década de 1930, período em que a arquitetura Art Déco influenciava projetos urbanos e edifícios públicos em diferentes países.

A presença desse estilo tornou-se uma das características da paisagem central da capital.

Entre os espaços ligados à história arquitetônica da cidade estão a região da Praça Cívica, a antiga Estação Ferroviária e edifícios construídos durante a formação administrativa de Goiás.

Percorrer esses locais permite observar a relação entre o projeto original de Goiânia e as transformações urbanas ocorridas ao longo de quase um século.

10. O que fica depois da festa?

Os 93 anos de Goiânia chegam acompanhados de apresentações musicais e atividades distribuídas por diferentes bairros.

A programação amplia, por alguns dias, a utilização de praças, ruas e equipamentos culturais. A continuidade dessa ocupação, entretanto, depende de planejamento, orçamento, manutenção e políticas de acesso.

Preservar a história da capital exige mais do que celebrar sua fundação. Significa manter museus, centros culturais, bibliotecas, teatros e espaços públicos em condições de receber a população.

A festa termina. O patrimônio, a memória e a produção cultural permanecem como responsabilidades coletivas.

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