Makoa Recovery e Enigma Franquias expandem rede de estúdios de recuperação física com investimento a partir de R$ 150 mil
A popularização da corrida de rua abriu espaço para um novo tipo de negócio no setor de bem-estar: o estúdio de recuperação física. É nesse segmento que atua a Makoa Recovery, cuja rede de franquias foi desenhada para chegar a cidades onde a corrida e o treino funcional ganharam adeptos, mas a estrutura de recuperação ainda não acompanhou esse avanço. O investimento começa a partir de R$ 150 mil.
A formatação do modelo de negócio e a estruturação da rede ficam a cargo de uma incubadora de Santa Catarina, que é sócia da marca. A empresa não presta serviço a terceiros e trabalha apenas com marcas das quais participa societariamente.
“A Makoa tem algo que buscamos em toda marca: um comportamento de consumo que já existe e ainda não tem quem organize. O corredor está na rua. Faltava um lugar para ele ir depois”, afirma Danilo Santana, sócio e CEO da Enigma Franquias.
Demanda que já está nas ruas
O potencial do segmento está ligado ao volume de praticantes. Segundo a Abraceo (Associação Brasileira de Organizadores de Corridas de Rua e Esportes Outdoor), o Brasil realizou 5.241 corridas de rua oficiais em 2025, contra 2.827 no ano anterior, alta de 85%. Santa Catarina aparece em terceiro no ranking nacional, com 478 provas, atrás de São Paulo e Paraná.
Grande parte desse público treina com volume de atleta enquanto mantém rotina de executivo, com jornadas longas e pouco descanso entre um treino e outro. É um consumidor que já investe em equipamento para correr, mas ainda não encontrou o mesmo nível de estrutura na hora de se recuperar.
“O corredor amador hoje compra tênis de placa de carbono, relógio com GPS e planilha de treinador. Mas quando o assunto é recuperação, ainda improvisa com gelo no freezer de casa. Existe um vazio enorme aí”, observa Gustavo Mello, o Gus, sócio da Makoa Recovery.
O que a unidade oferece
Cada estúdio reúne sauna finlandesa, botas de compressão pneumática e banheira de contraste, que alterna água quente e fria. As sessões seguem protocolos criados por um fisioterapeuta especialista em recuperação esportiva, que definem ordem, tempo e combinação das etapas conforme o objetivo do cliente.
O público vai do corredor de fim de semana que se prepara para a primeira meia maratona ao praticante de academia e ao executivo que busca desacelerar depois do expediente. O interesse também encontra respaldo na pesquisa em saúde: um estudo finlandês que acompanhou 1.621 homens por quase 25 anos associou o uso frequente da sauna a um risco cerca de 47% menor de pressão alta. Na saúde mental, um ensaio clínico publicado em 2016 na revista JAMA Psychiatry mostrou que uma única sessão de aquecimento do corpo inteiro reduziu de forma significativa os sintomas de pacientes com depressão. Na Makoa, as sessões se somam ao acompanhamento médico de quem já trata alguma condição.
Trajetória no mercado de fitness
Gus trouxe o conceito ao país depois de uma carreira no setor. Foi coach, cofundador e head coach da CrossFit Union, nos Estados Unidos, e cofundou a Hele Fitness, empresa que nasceu no Havaí e ganhou atuação internacional, onde assumiu como CEO. Nos Estados Unidos, estúdios dedicados exclusivamente ao recovery se multiplicaram na última década.
“Passei a vida inteira ensinando as pessoas a treinar mais forte. Demorei para entender que o resultado aparece no intervalo entre um treino e outro. É ali que quase ninguém está olhando”.
Momento de maturidade
A projeção do setor de eventos esportivos indica que o crescimento das corridas deve desacelerar em 2026, numa fase de maturidade em que valor e experiência passam a importar mais que volume. Para a Makoa, é o momento de avançar sobre novas praças: quem começou a correr pela empolgação agora precisa de estrutura para seguir no esporte, e é essa lacuna que o modelo de franquia se propõe a ocupar.








