Relatório da ANRESF com a CBF Academy mostra a distância entre a elite e as demais divisões. A startup Empregol aposta em uma plataforma para os atletas que vivem entre um contrato e outro
A distância entre a elite e o restante do futebol brasileiro fica evidente nos contratos. De acordo com o Relatório de Transferências 2026, feito pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) com a CBF Academy, os vínculos domésticos assinados por clubes da Série A na primeira janela do ano duram em média 22 meses e pagam, em média, R$ 1,7 milhão por ano. Nas outras divisões, a média cai para cerca de dez meses e R$ 109 mil anuais.
Na prática, quem joga fora da elite recebe, em média, mais de 15 vezes menos, com vínculos que não chegam a um ano. É esse atleta que a Empregol, criada por quatro sócios, dos quais três fizeram carreira no futebol, quer atender com a plataforma que chega ao mercado em outubro.
Muitos profissionais, poucos contratos
Um levantamento feito pela EY para a CBF e divulgado em 2019 ajuda a dimensionar a situação. De cerca de 360 mil atletas registrados no país, entre profissionais e não profissionais, aproximadamente 88 mil eram profissionais. Na data de corte, só 11,7 mil deles tinham contrato em vigor.
Com vínculos curtos, trocar de clube vira rotina. Um jogador das divisões de acesso pode passar por várias equipes em poucas temporadas, e cada mudança reabre a busca por visibilidade, num processo parecido com o de quem procura recolocação no mercado de trabalho.
Uma vitrine para quem está entre contratos
A proposta da Empregol é encurtar o intervalo entre um vínculo e outro. Jogadores e jogadoras criam um perfil com posição, medidas físicas, estatísticas e vídeos com os lances de destaque, que só fica visível depois da validação de identidade e documentos. Clubes e agentes, também verificados, fazem contato pelo chat.
A assinatura do atleta custa de R$ 24,90 a R$ 79,90 por mês, conforme o plano e o prazo. Clubes e agentes têm uma busca gratuita e pagam de R$ 139,90 a R$ 199,90 por mês pelos recursos completos. O primeiro mês após o lançamento é gratuito, uma oportunidade para atletas e contratantes se cadastrarem e experimentarem o serviço sem pagar. “O clube paga para encontrar mais rápido e com informação checada. O atleta paga para ser visto por contratantes verificados e para ter acesso a profissionais que, sozinho, ele pagaria bem mais caro”, diz Caio Vieira, cofundador e diretor comercial da Empregol.
Como os vínculos fora da elite são curtos, a empresa quer seguir com o atleta também depois da assinatura. Quem está no plano premium pode marcar, com preço corporativo e pagamento à parte, sessões com profissionais parceiros de saúde mental, área jurídica, finanças e preparação física, e mantém esse acesso mesmo empregado, com o status de aberto a propostas.
O que pode mudar
Os sócios esperam que a procura por atletas formados no país aumente com a regra aprovada pela CBF e pelos clubes das Séries A e B, que reduz o limite de estrangeiros por partida a partir de 2027 e cria uma cota de jogadores de até 23 anos na lista de inscritos. Segundo estudo da CBF Academy, os sub-23 ficaram com só 13,8% dos minutos da Série A em 2026. A redução é gradual, o que dá aos clubes quatro temporadas para se adaptar, e em 2030 metade da lista de 50 inscritos, ou 25 vagas, ficará com os sub-23. “Com menos estrangeiros e mais vagas obrigatórias para atletas de até 23 anos, os clubes vão precisar ampliar o radar. Tem muito jogador pronto entre um contrato e outro, e a gente quer que ele seja encontrado”, afirma Hygor Ribeiro, cofundador e CEO da Empregol e jogador profissional.
Pelos dados do relatório da ANRESF, a resposta para quanto ganha um jogador fora da Série A é, em média, R$ 109 mil por ano, em contratos de cerca de dez meses, contra R$ 1,7 milhão anuais e 22 meses na elite.








