BRASIL

Estudos apontam ganho de produtividade com IA às vésperas da escala 5×2

Pesquisa do NBER mediu alta de 14% na produtividade com IA; para o especialista em inteligência artificial Janiel Kempers, o resultado depende da revisão dos processos

Pesquisa do NBER mediu alta de 14% na produtividade com IA; para o especialista em inteligência artificial Janiel Kempers, o resultado depende da revisão dos processos

A inteligência artificial pode elevar a produtividade de atividades específicas, e já há estudos que medem esse efeito. Uma pesquisa de Erik Brynjolfsson, Danielle Li e Lindsey Raymond, divulgada pelo NBER (National Bureau of Economic Research), acompanhou o uso de um assistente de IA por 5.179 profissionais de atendimento ao cliente e registrou crescimento médio de 14% na produtividade, medida pela quantidade de problemas resolvidos por hora.

O dado ganha relevância no Brasil com a chegada da escala 5×2, que começa em 15 de dezembro com limite de 42 horas semanais. Para o jornalista, publicitário, estrategista digital e especialista em inteligência artificial Janiel Kempers, a tecnologia pode ajudar micro e pequenas empresas a manter o desempenho com menos horas disponíveis, desde que aplicada sobre processos organizados.

O que os números indicam

No estudo do NBER, o ganho chegou a 34% entre profissionais menos experientes e com menor desempenho inicial. Os resultados não garantem aumentos semelhantes em todas as empresas, mas oferecem evidências de que a tecnologia pode melhorar o desempenho de determinadas atividades.

Entre os pequenos negócios brasileiros, o uso já é frequente. Levantamento do Sebrae em parceria com o Meta Instituto de Pesquisa, divulgado em agosto de 2026, ouviu 7.182 empreendedores: 52% haviam utilizado IA nas duas semanas anteriores e 60% pretendiam adotar ou ampliar o uso nos seis meses seguintes. Entre as empresas que já usavam a tecnologia, 90% não alteraram o número de funcionários por causa dela nos seis meses anteriores, o que sugere um papel de apoio às atividades existentes.

Ganho depende da organização

O mesmo levantamento mostra que 46% dos negócios que adotaram IA precisaram desenvolver novos fluxos de trabalho para incorporar as ferramentas. Para Kempers, esse é o ponto central da adoção.

“Não adianta uma empresa contratar cinco ferramentas diferentes se continua trabalhando de maneira desorganizada. A transformação começa pela revisão dos processos. Primeiro, o empreendedor identifica o problema. Depois, escolhe a tecnologia que pode ajudá-lo a resolver. É essa lógica que transforma inteligência artificial em produtividade”, afirma.

Menos horas, foco no resultado

A Emenda Constitucional nº 141 prevê a redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial. A jornada de 40 horas será implementada 12 meses após a primeira etapa. Nesse cenário, ferramentas de IA podem apoiar a previsão de demanda, o controle de estoque, o atendimento e a administração financeira, com validação humana e atenção à proteção de dados, aos custos e ao treinamento das equipes.

A mudança tem escala nacional. Dados do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) referentes a dezembro de 2025 indicam que cerca de 14,7 milhões de trabalhadores com carteira assinada estavam na escala 6×1, o equivalente a 33,2% dos vínculos formais regidos pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Para essas empresas, extrair mais resultado de cada hora passa a ser uma questão de gestão.

Kempers, que atua com estratégia digital e inteligência artificial, defende que a produtividade passe a ser medida pelo que é entregue, e não pelo tempo de trabalho. “Durante muito tempo, a produtividade foi associada à quantidade de horas trabalhadas. A inteligência artificial nos permite olhar para outro indicador: o resultado produzido durante essas horas. O empresário que conseguir organizar seus processos, qualificar sua equipe e utilizar a tecnologia de maneira estratégica terá melhores condições de enfrentar as mudanças e continuar crescendo”, conclui.

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