BRASIL

Segurança do paciente: o papel da capacitação diante de 480 mil notificações

Com mais de 690 mil cursos concluídos em 2026 por profissionais da saúde, LMS da Inspand mostra a escala da formação recorrente no setor

Com mais de 690 mil cursos concluídos em 2026 por profissionais da saúde, LMS da Inspand mostra a escala da formação recorrente no setor

Protocolos adequados, identificação correta do paciente e gestão segura de dispositivos invasivos. Segundo especialistas citados em levantamento da ONA (Organização Nacional de Acreditação), essas medidas evitariam a maior parte dos eventos adversos registrados nos serviços de saúde do país. Todas elas dependem de equipes que conhecem e aplicam as orientações da instituição, o que coloca a capacitação dos profissionais no centro da agenda de segurança do paciente.

A escala dessa formação aparece nos números do LMS (Learning Management System, ou sistema de gestão de aprendizagem) da Inspand, empresa de educação corporativa. Mais de 180 mil profissionais da saúde usam a plataforma, que soma mais de 690 mil cursos concluídos em 2026, média superior a 3,8 por pessoa.

Os números de 2025

O levantamento da ONA, feito com dados da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), contabilizou 480.283 notificações de eventos adversos na assistência em 2025. Em 2023, foram 368.028, e em 2024, 425.951. Das notificações do ano passado, 10.458 resultaram em danos graves e 3.158 evoluíram para óbito. Os próprios profissionais de saúde foram responsáveis por mais de 202 mil registros.

Onde entra a capacitação

No início de 2026, a Anvisa aprovou o Plano Integrado para a Gestão Sanitária da Segurança do Paciente em Serviços de Saúde 2026-2030, que tem entre seus objetivos promover a adesão às práticas e à cultura de segurança nos serviços. Material apresentado pela agência em webinar sobre os dez anos do sistema nacional de notificações recomenda capacitações regulares sobre cultura de segurança e identificação de incidentes.

“Um protocolo de segurança só funciona quando é conhecido por todos que estão na assistência, em todos os turnos. A capacitação recorrente é o que faz a orientação escrita virar prática à beira do leito”, afirma Cristiano Franco, CEO da Inspand.

Entre as organizações atendidas pela empresa estão o ICESP (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo), o GRAACC (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer), o Hospital Pequeno Príncipe, a Rede Santa Catarina, a Amil, a Unimed Paraná, o Hermes Pardini e a Saúde Petrobras.

Uma força de trabalho em renovação

A capacitação precisa ser contínua porque as equipes mudam. A enfermagem reúne mais de 3 milhões de profissionais inscritos, segundo o Cofen (Conselho Federal de Enfermagem), e o número de vínculos da categoria cresceu 44% entre 2017 e 2022, de 1 milhão para 1,5 milhão de postos. O estudo Demografia Médica no Brasil 2025, do Ministério da Saúde, da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e da AMB (Associação Médica Brasileira), projetou 635.706 médicos em atividade no fim de 2025 e mais de 1 milhão em 2035. Quem chega precisa aprender os protocolos, e quem já está na equipe precisa acompanhar cada atualização.

“Na saúde, a capacitação acompanha o ritmo da operação. Quando um protocolo muda, a instituição precisa garantir que a orientação chegou a todos os profissionais envolvidos e ter como comprovar isso”, diz Franco.

Identificar lacunas antes da assistência

O treinamento de segurança do paciente em hospitais tem, assim, duas funções: levar as orientações a todos os turnos e mostrar ao gestor onde ainda há lacunas. “Saber quem concluiu cada conteúdo permite ao gestor identificar lacunas de conhecimento e agir sobre elas com antecedência”, afirma o executivo. A média de 3,8 cursos por profissional na base da Inspand indica que, nessas instituições, essa formação se repete ao longo do tempo.

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