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Dólar a R$ 5 depois do primeiro turno: o que a queda faz com a receita da soja e quem se protegeu antes

A moeda caiu 4% na segunda-feira seguinte à eleição. Para o produtor e a trading do Centro-Oeste, cada saca vendida em dólar passou a render menos reais, e a diferença ficou com quem fixou o câmbio antes.

A moeda caiu 4% na segunda-feira seguinte à eleição. Para o produtor e a trading do Centro-Oeste, cada saca vendida em dólar passou a render menos reais, e a diferença ficou com quem fixou o câmbio antes.

Para o agro exportador do Centro-Oeste, a manchete do câmbio de segunda-feira, 5 de outubro, tem tradução imediata no caixa. O dólar fechou a R$ 5,0022, depois de terminar a sexta na casa de R$ 5,22. A queda de 4,12%, a maior em um dia desde 2018, reduz na mesma proporção a receita em reais de cada saca de soja ou milho vendida em dólar e ainda não convertida.

O movimento veio do resultado do primeiro turno, que levou a disputa presidencial para 25 de outubro, e da entrada de capital estrangeiro na bolsa. Para quem tem embarques programados para o último trimestre, a pergunta deixou de ser se o dólar subiria até a eleição e passou a ser quanto da receita já estava protegida.

Um caso de outra cadeia exportadora mostra a diferença. Um exportador de madeira atendido pela GX Capital, com US$ 5 milhões a receber em 40 dias, antecipou todo o recebível na semana anterior à votação, a R$ 5,22. A diferença para o fechamento de segunda é de cerca de R$ 1,1 milhão.

“O exportador de madeira tinha US$ 5 milhões a receber em 40 dias e as pesquisas mostravam um primeiro turno apertado, cenário em que o dólar podia cair com o otimismo do mercado. Antecipamos 100% via ACE a R$ 5,22, e a margem dele ficou protegida da queda de segunda”, afirma Vinicius Teixeira, sócio da GX Capital.

Para o grão, a lógica é a mesma. O playbook Exportação Premium, da GX, combina NDF de venda escalonado, que fixa a receita em parcelas, com ACC sobre o pipeline de embarques, que antecipa o caixa antes do embarque, e ACE depois dele. O método, chamado de hedge em camadas, não depende de acertar o pico.

Para os embarques de novembro e dezembro, a recomendação é seguir fixando em parcelas até o segundo turno.

“Até 25 de outubro o mercado vai operar um resultado como se ele já estivesse dado. As tranches que faltam seguem no passo curto, porque a segunda-feira mostrou o tamanho do movimento possível, e ele vale para os dois lados”, afirma o sócio.

Na GX, o dimensionamento das parcelas passa pelo Aurum IA, tecnologia própria no aplicativo do cliente. Para o produtor, a pergunta desta semana é simples: que proporção da safra a ser embarcada até dezembro já tem câmbio fixado.

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