Tese de legibilidade da LAQI orienta empresas a organizar informações claras e referências verificáveis sobre a própria gestão
Parte relevante do que sustenta uma empresa, como o cumprimento de prazos, a forma de resolver demandas de clientes e a organização da rotina, nem sempre está registrada. Para a LAQI (Latin American Quality Institute), reunir essas informações de maneira clara e com referências verificáveis é o que permite que a empresa seja compreendida por quem avalia contratá-la. A instituição chama essa proposta de tese de legibilidade.
O princípio vale para pessoas e para sistemas. Ferramentas de inteligência artificial selecionam fontes e critérios de forma própria, e o empresário não controla essa escolha. O que está ao seu alcance é tornar a informação sobre a própria gestão acessível e consistente.
Quando ficam restritas à memória do dono, essas práticas não aparecem na proposta comercial e deixam de pesar na decisão de quem compra. A documentação transforma esse conhecimento em algo que pode ser apresentado e conferido.
O registro como base da avaliação
“Quem compra precisa entender por que escolher a sua empresa. Nossa proposta é ajudar o empresário a demonstrar a gestão que sustenta aquilo que ele oferece”, afirma Daniel Maximilian Da Costa, fundador e CEO da LAQI.
Na certificação Q-ESG, mantida pela instituição, a documentação é o ponto de partida. A avaliação examina a maturidade da gestão em qualidade, ambiental, social e governança, por meio de 20 indicadores organizados em quatro dimensões. O resultado é apresentado no Reporte Q-ESG, indicador por indicador, com recomendações que ajudam a definir prioridades de melhoria.
As recomendações podem orientar ações sobre atrasos, retrabalho e atendimento. O efeito comercial aparece quando as melhorias são aplicadas e acompanhadas em custos, satisfação dos clientes e continuidade dos contratos, o que também depende de registros organizados.
Critérios conhecidos antes do processo
As regras da Norma Q-ESG podem ser consultadas antes da contratação. A LAQI estrutura o atendimento em 22 setores e informa um mapeamento de 135 segmentos, com evidências compatíveis com a atividade e o porte de cada organização. Com isso, a empresa pode conhecer os critérios antes de organizar seus registros.
O relatório público do programa mostra que, nos ciclos de 2024 e 2025, 477 das 770 candidaturas foram elegíveis para validação, e 293 ficaram em Diagnóstico, recebendo recomendações. Para essas últimas, a Norma prevê reapresentação gratuita no mesmo ciclo, entre o 180º e o 270º dia após o resultado.
Da documentação à referência pública
Quando os requisitos são atendidos, a organização recebe uma credencial pública, que pode acompanhar sua apresentação ao mercado e ser conferida por clientes por meio de link de verificação da credencial. O programa anual inclui também 12 meses na comunidade da LAQI, com networking e troca de experiências entre empresários de diferentes atividades.
O registro público em blockchain permite rastrear a emissão da credencial, enquanto a avaliação das práticas é feita pelo processo Q-ESG. Com a credencial, a empresa passa a ter uma referência para os momentos em que é pesquisada por clientes, analisada em uma proposta ou procurada por possíveis parceiros.
Para Da Costa, documentar começa por um problema real da operação. “O empresário pode começar hoje por uma dificuldade concreta, reunir os registros e definir a melhoria que quer alcançar”, diz ele. “Quando chegar a próxima negociação, terá mais clareza sobre o que faz e sobre como apresentar esse valor.”
A recomendação da LAQI para quem deseja documentar as práticas de gestão é partir de uma dificuldade concreta, reunir evidências compatíveis com o porte do negócio e definir o objetivo a ser alcançado. O contato com a equipe da instituição deve incluir o segmento de atuação e uma meta comercial definida.








