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Do mundo corporativo à psicologia: a virada de Elaine Taboada aos 42 anos

Psicóloga deixou a carreira em RH, finanças e marketing, abriu clínica no Rio e agora ocupa a cadeira de Virginia Satir na Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura

Psicóloga deixou a carreira em RH, finanças e marketing, abriu clínica no Rio e agora ocupa a cadeira de Virginia Satir na Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura

Depois de 23 anos em empresas, nas áreas de recursos humanos, finanças e marketing, Elaine Taboada recomeçou a carreira aos 42 anos como terapeuta. Em agosto, a psicóloga tomou posse como acadêmica imortal da Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura, na cadeira 29 do colegiado de Ciências da Saúde, que tem como patronesse a terapeuta norte-americana Virginia Satir (1916-1988). A posse consta na página de acadêmicos da instituição.

A mudança abriu uma segunda carreira com clínica própria, academia online e comunidades de mulheres, trajetória que levou à posse na Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura.

Uma carreira construída em gestão

Formada em Administração, Elaine passou mais de duas décadas no ambiente corporativo, com foco em performance, carreira e negócio. Como gestora de RH, o autoconhecimento sempre esteve no centro: desde 2010, ela fez centenas de cursos de desenvolvimento humano.

Terapeuta e, depois, psicóloga

Saiu das empresas em 2018 e, em 2019, iniciou a trajetória na área terapêutica. No começo dessa carreira, depois de diversas formações terapêuticas, a experiência veio da pesquisa ligada ao câncer e do método da troca justa.

A formação em Psicologia é uma etapa à parte, distinta da terapêutica, embora as duas tenham base sistêmica. Elaine realizou o sonho de cursar a graduação, que tinha ficado de lado, com um curso iniciado durante a pandemia e concluído em 2024.

“Construí cada projeto à medida que fui reconstruindo a minha própria vida”, conta.

Da clínica às comunidades

Em 2023, ela fundou o Instituto Integrativo AlmaÚnica, clínica focada em saúde mental, emocional e treinamento com conceito boutique de bem-estar na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e uma comunidade de mulheres com um trabalho que chegou ao ambiente online, com alunas no Brasil e no exterior e encontro coletivo mensal. Os encontros presenciais no Rio incluem rodas de conversa, a Confraria, mesa de negócios entre mulheres que se reúne em um restaurante, e o Clube Terapêutico. Desde 2024, Elaine também é anfitriã da Aliança Divergente e lidera, de forma voluntária, a comunidade Cariocas Divergentes. Somadas, segundo ela, essas comunidades reúnem 3 mil pessoas. A missão, segundo ela, é apoiar mulheres e famílias na construção de lares e negócios saudáveis. A comunidade, o Clube Terapêutico, a Academia e a Confraria são voltados a mulheres; o Instituto AlmaÚnica e a Cariocas Divergentes recebem todos os públicos.

A cadeira de Virginia Satir

Cada cadeira da Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura tem um patrono, e Elaine assume a de uma das responsáveis por levar a família para dentro da terapia. Reconhecida internacionalmente como terapeuta, palestrante, trainer e escritora, Virginia Satir é uma das principais referências da terapia familiar sistêmica. Ela propôs entender cada pessoa como parte de um sistema de relações, especialmente a família, defendeu que a cura passa por restaurar a comunicação, fortalecer a autoestima e criar relações mais autênticas, e desenvolveu a reconstrução familiar, método que revisita a história de gerações anteriores. Seu trabalho também foi modelado por Richard Bandler e John Grinder na criação do Meta Modelo e de técnicas básicas da PNL (Programação Neurolinguística).

Satir foi pioneira no olhar sistêmico e no cuidado com o feminino, e esse cuidado é a base do trabalho de Elaine.

“Receber a cadeira de alguém tão marcante para a história da terapia familiar me preenche de um profundo senso de responsabilidade. Firmo o compromisso de honrar e dar continuidade a quem veio antes de mim e de contribuir para a construção de famílias, relações e uma sociedade mais saudável: um mundo melhor para nós e para as futuras gerações. Sigo comprometida com a evolução da ciência, da saúde, da humanidade, do empoderamento feminino, da construção de famílias saudáveis e de um novo mundo”, afirma.

Foco em mulheres e famílias

No consultório, Elaine trabalha para identificar ciclos geracionais que se repetem entre gerações. As mulheres estão no centro dos projetos, e o atendimento se estende a casais e homens. O tema aparece nos indicadores oficiais. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2022 as mulheres dedicaram em média 21,3 horas semanais a afazeres domésticos e cuidado de pessoas, ante 11,7 horas dos homens. A Previdência Social concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária por transtornos mentais e comportamentais em 2025, alta de 15,66% sobre 2024, sendo 63,46% para mulheres. O relatório World Mental Health Today, da OMS (Organização Mundial da Saúde), estima em mais de 1 bilhão as pessoas com transtornos mentais no mundo, com as mulheres desproporcionalmente afetadas.

“Ter uma vida saudável e feliz é entregar ao mundo uma vida melhor do que a que recebemos”, diz.

Recomeçar depois dos 40

Ela mesma compara o próprio percurso à jornada do herói. A trajetória de Elaine é a de uma mudança de carreira feita depois dos 40 anos e levada adiante com projetos próprios. Hoje, ela divide a produção de conteúdo entre o canal do Instituto AlmaÚnica no YouTube e participações como a de um podcast recente, e vê na posse a responsabilidade de levar esse conhecimento a mais pessoas. Elaine é psicóloga, mentora e empresária, à frente do Instituto Integrativo AlmaÚnica e de uma comunidade de mulheres.

“Conhecimento só ganha sentido quando transforma vidas. Conhecimento sem decisão de mudança e ação nesta direção não gera novos resultados”, resume.

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