O diabetes pode afetar a retina antes dos primeiros sintomas. Oftalmologista Francisco Lima explica os riscos e a importância do diagnóstico precoce para preservar a visão
O Brasil é o sexto país com o maior número de adultos vivendo com diabetes no mundo. São mais de 16 milhões de pessoas entre 20 e 79 anos convivendo com a doença, segundo a Federação Internacional de Diabetes (IDF). Embora as complicações cardiovasculares e renais sejam amplamente conhecidas, outro problema costuma passar despercebido: o diabetes pode comprometer a visão de forma silenciosa, antes mesmo de qualquer sintoma aparecer.
O alerta é do oftalmologista Francisco Lima, especialista em glaucoma e catarata. Segundo ele, a glicemia elevada por longos períodos provoca alterações nos pequenos vasos sanguíneos da retina — estrutura responsável por transformar a luz em imagens — e essas lesões podem evoluir sem dor e sem redução perceptível da visão.
“Muitos pacientes só procuram o oftalmologista quando a visão começa a falhar. No diabetes, porém, esperar pelos sintomas pode significar descobrir a doença ocular em uma fase mais avançada”, explica.
De acordo com o Ministério da Saúde, a retinopatia diabética está entre as principais causas de perda visual evitável em adultos e afeta aproximadamente um em cada três pacientes com diabetes. Quando identificada precocemente, no entanto, o risco de cegueira pode ser reduzido de forma significativa.

Boa visão não significa olhos saudáveis
Francisco Lima explica que um dos maiores desafios é justamente o comportamento silencioso da doença. Durante o exame de fundo de olho, o oftalmologista consegue identificar pequenas alterações na retina muito antes de o paciente perceber qualquer mudança na qualidade da visão.
“Em alguns casos, o exame oftalmológico pode, inclusive, levantar a suspeita de diabetes em pessoas que ainda não sabiam que tinham a doença. O exame não serve apenas para verificar se o paciente está enxergando bem, mas também para avaliar a saúde da retina”, afirma.
Além da retinopatia diabética, pessoas com diabetes apresentam maior risco de desenvolver catarata, glaucoma, edema macular e outras alterações oculares capazes de comprometer a visão quando não recebem tratamento adequado.
Acompanhamento periódico evita complicações
Segundo o especialista, a frequência das consultas depende do tipo de diabetes e das condições de cada paciente. Quem recebe diagnóstico de diabetes tipo 2 deve realizar uma avaliação oftalmológica completa desde o início da doença. Já nos casos de diabetes tipo 1, o primeiro exame costuma ser indicado alguns anos após o diagnóstico.
Outro equívoco frequente, de acordo com Francisco Lima, é acreditar que atualizar o grau dos óculos substitui uma avaliação completa dos olhos.
“Uma boa visão não significa necessariamente que a retina esteja saudável. O exame de rotina permite identificar alterações antes que elas provoquem danos permanentes”, ressalta.
O médico destaca ainda que preservar a visão depende de um conjunto de cuidados. Além do controle da glicemia, é fundamental manter a pressão arterial e o colesterol em níveis adequados, praticar atividade física, abandonar o tabagismo e seguir corretamente o tratamento indicado.
“A perda visual causada pelo diabetes não deve ser encarada como inevitável. Quando a doença é diagnosticada precocemente e o acompanhamento é mantido, grande parte dos casos graves pode ser evitada ou tratada antes que a visão seja comprometida de forma irreversível”, conclui Francisco.
