Setor cresce 75% no semestre e pode ganhar limites de captação mais altos com reforma da Resolução 88 em análise
O mercado brasileiro de crowdfunding de investimento captou R$ 2,1 bilhões em 477 emissões no primeiro semestre de 2026, crescimento de 75% em relação ao mesmo período do ano anterior e de quase 50% no número de ofertas. Os dados são do escritório Mattos Filho, apresentados em evento no Cubo Itaú, em agosto. Em 2023, o setor havia movimentado menos de R$ 200 milhões no ano inteiro, o que dá dimensão ao ritmo de expansão do segmento nos últimos anos.
Trajetória e sinalização do regulador
Segundo o Boletim CVM nº 109, o mercado passou de R$ 1,2 bilhão em 403 ofertas em 2024 para R$ 3,9 bilhões em 861 ofertas em 2025. O documento também registra 76 plataformas autorizadas, com concentração de volume em um número reduzido de operadores, o que a autarquia associa a um mercado em fase de maturação. Bruno Luna, superintendente de Supervisão de Mercado da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), afirmou que os números confirmam a consolidação do crowdfunding como alternativa relevante de financiamento para empresas.
Reforma em análise na CVM
A Consulta Pública SDM 05/2025, encerrada em janeiro de 2026, resultou em minuta de reforma da Resolução CVM 88 que aguarda deliberação do colegiado da autarquia. A proposta prevê elevar o limite de captação por oferta de R$ 15 milhões para R$ 25 milhões, com possibilidade de até R$ 50 milhões para securitizadoras registradas por patrimônio separado, e de R$ 2,5 milhões por safra para produtores rurais pessoa física, ponto que interessa diretamente ao agronegócio da região Centro-Oeste.
A minuta também prevê o fim do teto de faturamento dos emissores, hoje em R$ 40 milhões (ou R$ 80 milhões para grupos), a permissão para que instituições tradicionais do sistema de distribuição atuem por conta e ordem dos investidores, e a alteração do limite do investidor de varejo, hoje em R$ 20 mil anuais globais, para um teto por plataforma, com reinvestimento de valores recebidos sem consumo do limite anual.
Antonio Carlos Berwanger, superintendente de Desenvolvimento de Mercado da CVM, detalhou a proposta no Blockchain.RIO, em agosto. Em nota, a autarquia disse que a proposta busca modernizar o regime sem abrir mão dos princípios de proporcionalidade, transparência e proteção aos investidores. Em julho, a CVM criou o GTT (Grupo de Trabalho de Tokenização), com prazo de 60 dias para propor um regime regulatório experimental.
Pontos de divergência
O Valor Econômico noticiou, em julho, resistências de participantes do mercado a pontos da minuta, entre eles a exigência de agente fiduciário, que pode elevar custos operacionais, a restrição ao modelo de warehouse, que sustenta cerca de 25% das operações, e uma possível trava em certificados de recebíveis imobiliários por destinação, que afetaria aproximadamente 40% das operações de tokens de dívida. Há também preocupação de que o novo desenho crie barreiras de entrada para operadores menores. A minuta segue em análise e os valores podem ser ajustados até a deliberação final do colegiado.
Infraestrutura regulatória em evidência
Para Tânia Oliveira, CEO e fundadora da CrowdTech, RegTech brasileira de infraestrutura white-label para plataformas de crowdfunding reguladas pela CVM, o avanço dos limites regulatórios muda o foco do debate para a capacidade operacional dos agentes do setor. Segundo Oliveira, a pergunta que fica para emissores e plataformas é qual delas terá infraestrutura pronta para operar com segurança, compliance e auditabilidade já no primeiro dia da nova norma.
A CrowdTech atua como infraestrutura, sem operar plataforma própria nem concorrer com o emissor. A empresa oferece compliance incorporado à arquitetura do sistema, validações automáticas em fluxos críticos, integração de KYC/AML e camada financeira com escrow. A decisão de aprovar ou rejeitar clientes e emissores permanece com o operador da plataforma; a CrowdTech fornece as ferramentas e os dados para que essa decisão seja tomada dentro dos parâmetros regulatórios. Segundo a empresa, isso reduz o tempo de desenvolvimento de uma plataforma própria, de 18 a 24 meses, para um ciclo de meses, com auditabilidade completa.
A CrowdTech está entre as Top 100 do Prêmio Sebrae Startups 2026 e entre as Top 10 na categoria Inovação Financeira.
Cenário macroeconômico
Com a Selic em 14,25% ao ano, o crédito mais caro pressiona pequenas e médias empresas, inclusive no setor produtivo do Centro-Oeste, e sustenta a demanda por captação alternativa. O mercado de capitais emitiu R$ 420 bilhões no acumulado até o segundo trimestre de 2026, alta de 10,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. O Regime Fácil, instituído pela Resolução CVM 232/2025, habilitou a B3 e a BEE4 para empresas com receita inferior a R$ 500 milhões, o que reforça a trajetória em que o crowdfunding funciona como porta de entrada para o mercado de capitais.
Na semana em que a cadeia de investimento em startups se reúne em Florianópolis, o tema da infraestrutura regulatória integra a pauta de dois eventos no CentroSul: o Startup Investment Summit, organizado pela Anjos do Brasil no dia 25 de agosto, e o Startup Summit, de 26 a 28 de agosto. A CrowdTech confirmou presença nos dois eventos.
Sobre a CrowdTech
A CrowdTech é uma RegTech brasileira que fornece infraestrutura tecnológica white-label para operação de plataformas de crowdfunding de investimento reguladas pela CVM (Resolução 88/2022). Com compliance incorporado ao sistema, KYC/AML integrados e redução no tempo de lançamento, a empresa permite que escritórios de Agentes Autônomos de Investimento (AAI), securitizadoras e instituições financeiras operem plataformas próprias de captação sem desenvolver tecnologia do zero.
Mais informações em crowdtech.io.
