BRASIL

Como simular o impacto da reforma tributária no Lucro Presumido a partir dos números de 2026

Empresas do Lucro Presumido trocam a alíquota cumulativa de PIS e Cofins pela CBS no regime regular em 2027. Uma simulação mensal, com cenários de alíquota, mostra onde o caixa vai sentir a mudança

Empresas do Lucro Presumido trocam a alíquota cumulativa de PIS e Cofins pela CBS no regime regular em 2027. Uma simulação mensal, com cenários de alíquota, mostra onde o caixa vai sentir a mudança

Para quem quer saber como simular o impacto da reforma tributária no Lucro Presumido, o ponto de partida é uma mudança concreta: em 2027, a alíquota sobre a receita deixa de ser os 3,65% cumulativos de PIS e Cofins e passa a ser a da CBS no regime regular. A troca muda o ritmo do débito e abre espaço para créditos que antes não existiam para essas empresas.

A data da virada é 1º de janeiro de 2027, quando PIS e Cofins são extintos e a CBS passa a ser cobrada integralmente, conforme a Lei Complementar 214/2025. O percentual, porém, ainda está pendente. O Tribunal de Contas da União tem até 30 de outubro para homologar o cálculo da alíquota de referência, e o Senado, até 15 de dezembro para aprová-la. Sem votação, valem provisoriamente os cálculos do TCU. Por isso, a simulação trabalha com pelo menos três cenários.

Os dados de entrada são os de 2026: receitas separadas por tipo de cliente, compras por tipo de fornecedor, prazos médios de recebimento e de pagamento e créditos de PIS e Cofins em estoque. Com essa base, monta-se o fluxo de caixa de 2027 mês a mês, posicionando débitos e créditos no mês em que de fato afetam o caixa, e não no mês da nota.

O lado do crédito exige atenção. No modelo não cumulativo da CBS, quase tudo o que a empresa adquire para a atividade gera crédito, mas o aproveitamento depende de documento fiscal correto, tributo destacado e extinção do débito na etapa anterior. Nas compras de fornecedores do Simples Nacional que recolhem pelo DAS, o crédito fica limitado ao valor recolhido no Simples. Créditos acima dos débitos formam saldo credor, sujeito aos prazos de ressarcimento da lei.

A simulação não para em 2027. Entre 2029 e 2032, ICMS e ISS são reduzidos aos poucos enquanto o IBS sobe na mesma proporção, e esse período também entra no exercício, com menor detalhe. Só em 2033 o sistema novo opera sozinho.

“O contador é quem conhece a operação. O nosso papel é transformar o que ele já tem em um calendário de caixa da transição, com cenários, para que a empresa decida em 2026 o que vai sentir em 2027”, afirma Carlos Gago, CEO da Trinity Consultoria Tributária.

Na Trinity, a simulação é a primeira fase do trabalho consultivo, em formato de diagnóstico sem custo, feito junto com o contador da empresa e apoiado na ContadorIA, ferramenta de raio-X tributário da consultoria. Um dos resultados práticos é definir quando revisar preços, já que os contratos renovados no fim de 2026 vão vigorar sob a alíquota nova.

O exercício rende mais para empresas com operação recorrente, prazos longos de recebimento ou créditos relevantes em estoque. Para quem permanecerá no Simples Nacional, ou tem operação muito simples, com poucos fornecedores e recebimento à vista, o ganho tende a ser menor.

O que você achou?