BRASIL

Com 58% dos médicos em 48 cidades, teleconsulta amplia acesso no interior

Demografia Médica 2025 mostra distância entre capitais e interior; na Clini+, consulta online leva especialistas a qualquer cidade do país

Demografia Médica 2025 mostra distância entre capitais e interior; na Clini+, consulta online leva especialistas a qualquer cidade do país

O Brasil tem 635.706 médicos, mas mais da metade deles está concentrada em poucas cidades. Segundo a Demografia Médica no Brasil 2025, estudo da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) com o Ministério da Saúde e a AMB (Associação Médica Brasileira), 58% dos profissionais atuam em apenas 48 municípios com mais de 500 mil habitantes. Em média, as capitais têm 3,66 vezes mais médicos por mil habitantes do que o restante de cada estado.

Para quem vive longe desses centros, a consulta por vídeo encurta o caminho até um especialista. A Clini+ Instituto Médico trabalha nesse modelo, com atendimento em cardiologia, psiquiatria, endocrinologia, dermatologia e outras especialidades. A empresa tem presença mais forte na capital paulista e vem ganhando espaço em outras regiões, onde ainda existe receio em relação à consulta a distância. A validade nacional de receitas e atestados é um dos pontos que mais pesam nessa decisão.

Médico e paciente em estados diferentes

Um paciente na Bahia atendido por um cardiologista da Clini+ registrado em São Paulo, por exemplo, pode sair da consulta com receita e atestado digitais com o mesmo valor dos emitidos em consultório. A Lei 14.510/2022 regulamentou a telessaúde em caráter permanente, e a Resolução 2.314/2022 do CFM (Conselho Federal de Medicina) define as regras do atendimento a distância para os médicos.

Os documentos ganham validade jurídica pela assinatura digital. A MP (Medida Provisória) 2.200-2/2001 instituiu a ICP-Brasil (Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira), e a Lei 14.063/2020 reconhece receitas e atestados emitidos em meio eletrônico com assinatura eletrônica qualificada. Farmácias, empresas e pacientes podem conferir a autenticidade em um validador gratuito mantido pelo CFM, pelo ITI (Instituto Nacional de Tecnologia da Informação) e pelo CFF (Conselho Federal de Farmácia). Segundo a Clini+, todos os documentos emitidos em suas consultas saem com certificado ICP-Brasil.

Especialista e acompanhamento contínuo

Na Clini+, todos os médicos têm RQE (Registro de Qualificação de Especialista) na área em que atendem, e o paciente segue com o mesmo especialista nos retornos. A empresa informa mais de 600 consultas por mês e satisfação média de 4,9, com revisão dos médicos avaliados abaixo de 4.

A modalidade também avança na rede de saúde. De acordo com a pesquisa TIC Saúde 2025, do Cetic.br (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação), 28% dos estabelecimentos de saúde do país ofereceram teleconsulta em 2025. Nas capitais, o ganho é de tempo: o Índice de Trânsito TomTom aponta 135 horas perdidas por ano em congestionamentos nos horários de pico em Curitiba, 132 em São Paulo e 130 em Recife e Belo Horizonte.

Controlados também no meio eletrônico

Desde 30 de setembro, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) permite, por meio do SNCR (Sistema Nacional de Controle de Receituários), a emissão eletrônica das notificações de receita azul e amarela, antes restritas ao papel. A medida inclui as notificações A, B e B2 e as de retinoides de uso sistêmico e talidomida, com QR Code para conferência. O modelo em papel segue válido, e a emissão eletrônica não é obrigatória. Desde a RDC (Resolução da Diretoria Colegiada) 873/2024, essas notificações valem em todo o território nacional.

Para o médico cardiologista Dr. Richardi Neves Ramos (CRM-SP 224667), fundador e diretor técnico da Clini+, marca da MEDLIFE LTDA, o atendimento remoto só se completa quando o paciente sai da consulta com documentos aceitos em qualquer lugar. “A consulta online termina com o paciente atendido e com receita e atestado válidos nacionalmente, sem deslocamento, sem trânsito e sem fila”, afirma.

Com os médicos concentrados em 48 grandes municípios, a teleconsulta com documentos de validade nacional permite que moradores do interior sejam atendidos por especialistas de outras cidades e estados sem viajar, com receita e atestado aceitos na farmácia e no trabalho.