Monitoramento contínuo de terceiros e sua ligação com o canal de denúncias estão em pauta no Compliance 360°, dia 21 de outubro, em São Paulo
Um fornecedor aprovado no cadastro pode mudar de perfil de risco meses depois, seja por uma alteração societária, seja pela inclusão de uma pessoa ligada a ele em uma lista restritiva. Para empresas que dependem de uma rede ampla de parceiros, tratar a due diligence como etapa única significa perder de vista essas mudanças.
O acompanhamento de terceiros é um dos eixos do Compliance 360°: conectando integridade, tecnologia e pessoas, evento realizado pela clickCompliance e pelo Kronoos no dia 21 de outubro, em São Paulo, voltado a profissionais de compliance, riscos, jurídico e governança.
Responsabilidade que se estende aos parceiros
A Lei Anticorrupção (12.846/2013) responsabiliza empresas por atos lesivos praticados em seu interesse, inclusive por terceiros. Já o Decreto 11.129/2022 estabelece que os programas de integridade sejam avaliados pela efetividade, e não somente pela existência de políticas formalizadas.
Alexandre Pegoraro, CEO do Kronoos, considera um erro comum encarar a avaliação de terceiros como etapa de cadastro. “Um fornecedor que não aparece em nenhuma lista restritiva hoje pode aparecer amanhã, e a relação com ele não termina no cadastro”, diz. “Due diligence feita uma vez e arquivada é uma fotografia; o risco de terceiros é um filme. Quando o monitoramento de sanções e o que chega pelo canal de denúncias olham para o mesmo terceiro, a empresa deixa de descobrir o problema pela imprensa e passa a agir antes.”
Quando as informações se cruzam
Uma denúncia envolvendo um fornecedor, uma alteração societária e a entrada de alguém relacionado à empresa em lista restritiva podem parecer fatos independentes. Analisados em conjunto, podem indicar uma mudança relevante no risco daquela relação. O obstáculo é que, em muitas organizações, a checagem de fornecedores fica numa planilha, distante do canal de denúncias, e áreas como compliance, jurídico, RH, riscos e auditoria nem sempre cruzam o que sabem.
Por isso, dois dos quatro painéis tratam de sanções internacionais e listas restritivas e da integração entre gestão de terceiros e canal de denúncias. A curadoria é de Luciana Silveira, fundadora da GRC Fora da Caixa. “Quando montamos a programação, a pergunta não foi quais temas estão em alta, mas onde as áreas deixam de conversar”, conta. “É justamente nesses pontos de desconexão que surgem oportunidades para melhorar a gestão dos riscos.”
Estrutura que ainda não chega à gestão
Segundo a 6ª Pesquisa Maturidade do Compliance no Brasil, da KPMG, publicada em 2024 com 106 organizações, 92% das empresas mantêm canal de denúncias, mas 56% não usam métricas de compliance na avaliação de desempenho e só 25% aplicam metas de integridade a funcionários, executivos e terceiros simultaneamente. A ACFE (Association of Certified Fraud Examiners) estima que as organizações perdem cerca de 5% da receita anual com fraudes internas.
“Quase todas as empresas têm canal de denúncias, mas mais da metade ainda não leva métricas de compliance para a avaliação de desempenho”, observa Marcelo Erthal, CEO da clickCompliance. “Isso mostra que a estrutura existe, mas não está conectada à gestão. E é nesse intervalo que a fraude encontra espaço.”
Tecnologia para acompanhar a cadeia
Sistemas integrados reúnem alertas de sanções, resultados de due diligence, registros do canal e dados de treinamento. A presença de um diretor financeiro entre os palestrantes reflete o avanço do tema para áreas diretamente ligadas às decisões do negócio.
“Tecnologia não substitui cultura, mas permite enxergar o todo”, afirma Erthal. “Quando dados de treinamento, denúncias e due diligence de terceiros estão no mesmo lugar, o gestor deixa de reagir a casos isolados e passa a identificar padrões. É isso que transforma compliance de custo em ferramenta de decisão.”
Monitorar fornecedores depois do cadastro, portanto, envolve acompanhar listas restritivas e sanções de forma contínua e cruzar esses alertas com o que chega pelo canal de denúncias, para agir antes que o problema se torne público.
Serviço: Compliance 360°: conectando integridade, tecnologia e pessoas
Quando: 21 de outubro de 2026, das 8h às 18h
Onde: Salas Brasil – Espaço Paulista, São Paulo
Realização: clickCompliance e Kronoos, com curadoria da GRC Fora da Caixa
Ingresso solidário: R$ 99,90, com renda revertida para instituição beneficente
Inscrições: https://www.eventocompliance360.com.br/








