Goiânia deve registrar 130 novos casos de câncer de estômago em 2026, sendo 70 em homens e 60 em mulheres. No Brasil, a estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) é de 22.530 novos casos por ano entre 2026 e 2028. Um dos desafios no diagnóstico da doença é que, principalmente nas fases iniciais, os sintomas podem ser confundidos com alterações digestivas comuns, como gastrite, refluxo e úlcera. Dor na parte superior do abdômen, sensação de estômago cheio, indigestão, perda de apetite, emagrecimento sem causa aparente e refluxo persistente estão entre os sinais que merecem atenção quando se tornam frequentes ou apresentam piora. Segundo o gastroenterologista Eduardo Aguiar, da Clínica Vittá, a persistência e a evolução dos sintomas são importantes para determinar a necessidade de investigação. Sinais como perda de peso, anemia, dificuldade para engolir, vômitos persistentes ou sangramento também devem motivar avaliação médica.
A endoscopia digestiva alta é um dos principais exames utilizados diante da suspeita de alterações no estômago. Durante o procedimento, podem ser retirados pequenos fragmentos para biópsia, exame que permite confirmar ou afastar a presença de câncer. A investigação deve ser individualizada, especialmente em pessoas com histórico familiar de câncer gástrico, úlceras recorrentes, sangramento digestivo, cirurgias prévias no estômago ou outros fatores de risco. Entre eles está a infecção pela bactéria Helicobacter pylori, conhecida como H. pylori, que está associada ao desenvolvimento de gastrite crônica e ao aumento do risco de câncer de estômago. De acordo com Eduardo Aguiar, a presença da bactéria não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá a doença, já que o risco envolve uma combinação de fatores, como tempo de infecção, alterações provocadas no estômago, histórico familiar, hábitos de vida e outras condições clínicas. Tabagismo, consumo excessivo de bebidas alcoólicas, dieta rica em sal e alimentos processados, obesidade e algumas doenças gástricas também estão associados ao aumento do risco.
A identificação do câncer de estômago em fases iniciais amplia as possibilidades de tratamento. Por isso, sintomas persistentes ou mudanças no padrão digestivo devem ser avaliados, principalmente quando acompanhados de fatores de risco ou sinais de alerta. O gastroenterologista ressalta que a intenção não é alarmar diante de qualquer desconforto, mas observar alterações que fogem do habitual e buscar investigação adequada quando necessário. O INCA não recomenda rastreamento indiscriminado para toda a população; a avaliação deve considerar a idade, os sintomas, o histórico clínico e os fatores de risco de cada paciente. No Setembro Rubi, campanha de conscientização sobre a doença, a orientação é reforçar a importância de atenção aos sinais persistentes e da avaliação médica individualizada.








