Estimativa de longo prazo divulgada em julho soma 136 mil novos pilotos, técnicos e comissários na região; no mundo, a demanda passa de 2,4 milhões de profissionais
A América Latina vai precisar de 136 mil novos profissionais de aviação até 2045: 38 mil pilotos, 42 mil técnicos de manutenção e 56 mil comissários, segundo a projeção de longo prazo que a Boeing divulgou em julho. Os comissários formam o grupo com mais vagas projetadas entre as três funções.
No mundo, a estimativa passa de 2,4 milhões de novos profissionais, e mais de 1 milhão serão comissários de bordo. Para escolas como o CEAB, que há 27 anos forma comissários e hoje oferece as modalidades presencial e a distância, o número indica demanda contínua por formação.
Contratações recentes
A LATAM contratou mais de 700 comissários e pilotos no Brasil em 2025 e abriu no fim do ano passado um processo seletivo de tripulantes com contratações previstas ao longo de 2026. A projeção de longo prazo indica que a necessidade de tripulantes não depende de um único ciclo de contratações.
“A projeção de demanda é boa notícia, mas não baixa a régua. A companhia continua escolhendo quem chega pronto, e a escola que forma em escala precisa cuidar para que a prática não fique mais fraca por causa disso”, afirma Salmeron Cardoso, diretor e CEO do CEAB.
O que as companhias pedem
No processo da LATAM, o curso profissionalizante de comissário de voo aparece entre os requisitos, ao lado de ensino médio completo, passaporte válido, Certificado Médico Aeronáutico e vacina contra febre amarela. Processos seletivos recentes também têm solicitado documentos como o CCT, Certificado de Conhecimentos Teóricos, e o certificado de treinamento prático. Inglês ou espanhol contam como diferencial na LATAM e são requisito, em nível de conversação, no banco de talentos da Gol.
A regra brasileira
A Lei 13.475, de 2017, a Lei do Aeronauta, limita a jornada no transporte aéreo regular a 9 horas em tripulação simples, 12 horas em tripulação composta e 16 horas em tripulação de revezamento, e assegura ao menos 10 folgas por mês, das quais pelo menos duas num sábado e domingo consecutivos. A mesma lei reserva a profissão a brasileiros natos ou naturalizados. Empresas brasileiras em serviço aéreo internacional podem ter comissários estrangeiros a bordo, desde que eles não passem de um terço dos comissários da aeronave.
Formação a distância
No modelo a distância, a teoria acompanha o aluno em qualquer cidade, e a parte prática fica concentrada numa imersão presencial na selva. Combate ao fogo, marinharia e sobrevivência se aprendem com o corpo. Para a turma da modalidade a distância que acaba de concluir a etapa prática, a formação fecha com um Open Day opcional, no dia seguinte à selva: palestras sobre o mercado de trabalho e aulas de postura, etiqueta e apresentação pessoal, num hotel de alto padrão.
“Durante muito tempo, quem queria voar e morava longe de São Paulo precisava se mudar antes mesmo de saber se a profissão era para ele. O ensino a distância inverteu essa ordem: a pessoa estuda de onde está e só viaja para a parte que exige presença”, diz Salmeron.
“Escola de aviação não cresce vendendo matrícula. Cresce quando o aluno formado é chamado, porque é isso que traz o próximo aluno”, completa o diretor.
A projeção reforça que a formação de tripulantes é uma questão de longo prazo na região. O desafio das escolas é ampliar o alcance sem reduzir a exigência que as companhias mantêm na seleção.








