Abadiânia no centro da nova fronteira imobiliária do Lago Corumbá IV

Às margens do Lago Corumbá IV, em Abadiânia, um empreendimento de 3 milhões de metros quadrados do Grupo CPR

Um projeto de 3 milhões de metros quadrados sinaliza a mudança de uso do solo na borda do reservatório, de área rural para residencial de alto padrão.

A margem do Lago Corumbá IV está trocando de vocação. Em Abadiânia, área que sustentava atividade rural passou a abrigar um empreendimento residencial de 3 milhões de metros quadrados, movimento que reposiciona o município dentro do mapa imobiliário do Centro-Oeste.

O projeto é a Fazenda do Lago, do Grupo CPR. A primeira fase organiza 470 lotes em 33 quadras de baixa densidade, com metragens que partem de 630 m². A obra teve início em 2026, com entrega prevista para 2027, e o acesso se dá pela BR-060, asfaltada de ponta a ponta, a cerca de 1h10 de Brasília.

O que restringe a ocupação da borda

A conversão de uso do solo na margem do lago não é livre, e essa é uma característica que diferencia a região de outras frentes de expansão em Goiás.

O Lago Corumbá IV nasceu da barragem da usina hidrelétrica inaugurada em 2006 e operada pela Corumbá Concessões, e represa aproximadamente 173 km² de água, cerca de 3,7 trilhões de litros. Além de gerar energia, o reservatório é manancial: o Sistema Produtor de Água do Corumbá capta ali para abastecer perto de 1,3 milhão de habitantes do Distrito Federal e de Goiás.

A consequência aparece no licenciamento. A Área de Preservação Permanente do reservatório supera 9 mil hectares, distribuídos por 783,7 km de perímetro que atravessam sete municípios goianos: Abadiânia, Alexânia, Corumbá de Goiás, Luziânia, Novo Gama, Santo Antônio do Descoberto e Silvânia. Ocupar essa faixa exige projeto, licença e capital, o que reduz o número de empreendedores capazes de operar ali e concentra a oferta.

Capital de fora entrando no cerrado

O Grupo CPR não tem origem no Centro-Oeste. O portfólio da empresa se concentra em São Paulo e no litoral norte paulista, com empreendimentos em Juquehy e no Morumbi, e a operação mantém escritórios em São Paulo, Curitiba e Goiânia.

A entrada no cerrado goiano indica um deslocamento de capital acostumado à costa em direção a uma região com terra mais acessível, escala inviável no litoral e demanda de alta renda concentrada entre Brasília e Goiânia. O movimento tende a se somar ao turismo: levantamento conduzido desde 2019 pela turismóloga Amanda Alves Borges, especialista em desenvolvimento regional pela UEG e doutoranda em turismo pela USP, aponta o Corumbá IV como um dos destinos mais promissores de turismo de natureza da região, com a economia de municípios como Abadiânia já se moldando em torno do lago.

O produto mudou de definição

O empreendimento reúne 19 amenidades organizadas em clubes: marina, campo de golfe integrado à topografia, tênis club com quadras de saibro, grama e concreto, além de pádel, beach tennis e pickleball, haras e um Surf Club com piscina de ondas que, segundo o empreendimento, será a maior do país.

“O comprador de casa de campo de hoje não pergunta o tamanho do lote primeiro. Pergunta o que ele vai fazer no sábado de manhã. A resposta a essa pergunta é o produto”, diz Marlon Ceni, CEO do Grupo CPR.

Para Abadiânia e para os demais municípios da borda, o efeito prático é uma reprecificação da terra. Quando a margem do lago deixa de ser avaliada por aptidão rural e passa a ser avaliada por potencial residencial de alto padrão, muda a base de comparação de todo o entorno.

| ÚLTIMAS NOTÍCIAS