Com o cartão como principal modalidade de endividamento das famílias, cresce a procura por linhas mais baratas, como o crédito com garantia de veículo
O rotativo do cartão de crédito é hoje a principal modalidade de endividamento das famílias brasileiras, com juros que ultrapassam 400% ao ano. O custo elevado tem levado consumidores a buscar linhas de crédito mais baratas para quitar essa dívida, entre elas o crédito com garantia de veículo, oferecido por empresas como a Nexus Credi, correspondente bancária de Belo Horizonte que opera com garantia de veículo e de imóvel.
O cenário de endividamento é o maior já registrado no país. O Brasil chegou a julho de 2026 com 83,9 milhões de consumidores com registro de inadimplência, o décimo nono mês consecutivo de alta na série da Serasa, e 82% das famílias declararam ter dívidas a vencer, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), o maior nível desde o início do levantamento, em 2010.
Do rotativo para o crédito com garantia
Para quem está no rotativo do cartão, a diferença de taxa em relação ao crédito com garantia de veículo é grande. Enquanto o rotativo passa de 400% ao ano, as operações com veículo quitado em garantia partem de patamares próximos de 1,09% ao mês mais IPCA. Já o crédito pessoal não consignado, outra alternativa comum, oscilou entre 8,4% e 8,6% ao mês no primeiro semestre, segundo o Banco Central, o equivalente a mais de 160% ao ano.
O que olhar antes de trocar
A distância entre as taxas não deve ser o único critério de decisão. O custo efetivo total (CET) da operação com garantia de veículo inclui avaliação do bem, registro do gravame no Sistema Nacional de Gravames, IOF e, em parte dos contratos, seguro, itens que não aparecem na taxa nominal. Segundo a Nexus Credi, esses custos tendem a ser mais baixos do que os equivalentes em uma operação imobiliária.
Prazo e parcela
As operações com garantia de veículo são contratadas em prazos de 12 a 60 meses, mais curtos do que os das operações com imóvel, que chegam a 240 meses. O prazo mais curto reduz o total de juros pagos, mas aumenta a parcela mensal, o que exige atenção ao orçamento antes de fechar contrato.
O risco de reincidência
Sair do rotativo do cartão trocando por outra dívida só resolve o problema se o orçamento também for ajustado. Segundo o Mapa da Inadimplência da Serasa, levantamento de dez anos, 42% dos inadimplentes registrados em 2026 já estavam negativados uma década antes, o que mostra que parte significativa dos consumidores volta a se endividar.
“A pergunta certa não é qual taxa você conseguiu, é quanto você vai pagar no fim. Tem operação com taxa menor e custo total maior, e é aí que a troca deixa de fazer sentido”, afirma João Viríssimo, diretor da Nexus Credi.
O perfil aceito para o crédito com garantia de veículo exige bem com até 17 anos de fabricação e documentação regular. Para dívidas maiores, também existe a opção de crédito com imóvel em garantia, com taxas a partir de 1% ao mês e prazos de até 240 meses, mas com processo de contratação mais lento que o do veículo.