Piso técnico de R$ 10 mil mensais por dois a três meses define o que dá para validar antes de esperar retorno em campanhas B2B
Antes de perguntar quando a mídia paga vai começar a dar retorno, o empresário que decide investir em tráfego pago para vender para outras empresas precisa responder a uma pergunta anterior: quanto é o suficiente para o sistema aprender. Segundo especialistas do setor, existe um piso técnico de investimento abaixo do qual nenhuma campanha sai da fase de aprendizado, e ele custa dinheiro antes de gerar qualquer venda.
Para Daniel Freitas, sócio da Nexus Growth, consultoria que já geriu mais de R$ 300 milhões em investimentos de mídia paga para empresas como Conta Simples, Hand Talk e V4, esse piso não deve ser confundido com o investimento que vai gerar retorno. Ele é, segundo o consultor, o volume mínimo de eventos de conversão necessário para os sistemas das plataformas de anúncio saírem da fase de aprendizado e estabilizarem a entrega.
Campanhas com verba insuficiente, explica Freitas, ficam presas num ciclo de aprendizado que nunca se completa, e o resultado oscila sem nunca formar um padrão que sirva de base de decisão para o empresário.
O que R$ 10 mil por mês compram
Na prática, o consultor trabalha com um valor de referência para operações B2B que estão começando: cerca de R$ 10 mil mensais sustentados por dois a três meses.
“Com R$ 10 mil rodando por dois ou três meses dá para testar muita coisa e validar de verdade: comunicação, ICP, que tipo de público está chegando e que ajuste a operação precisa. Não é a fase de colher. É a fase de descobrir para quem você está falando”, diz Daniel Freitas.
A régua muda com escala e tempo
O outro extremo dessa régua dá a dimensão do que muda quando o orçamento e o tempo aumentam. Numa operação B2B acompanhada pela consultoria ao longo de dois anos, com cerca de R$ 40 mil mensais aplicados só em mídia paga, a proporção de leads que avançam para qualificado chega a 70%.
Para o empresário goiano que está decidindo quanto reservar de orçamento antes de contratar uma operação de mídia paga, a distância entre os dois valores ajuda a calibrar expectativa. Um cobre a fase de teste. O outro reflete uma operação já madura, com dois anos de dado de venda voltando para a plataforma.
Investir de menos não é economia
Segundo o consultor, gastar abaixo do piso técnico não reduz o risco do investimento, apenas adia o momento em que a empresa vai ter dados suficientes para decidir se a mídia paga funciona para o seu negócio. Quem entra com o orçamento mínimo por dois ou três meses sai dessa fase sabendo, com dado real, para quem está falando e como ajustar a operação antes de aumentar o valor investido.
O piso técnico vale tanto para quem vende software quanto para quem vende serviço ou equipamento para outras empresas. A lógica muda pouco: as plataformas de anúncio dependem de um volume mínimo de eventos de conversão relevantes para treinar a entrega, e abaixo desse volume não existe otimização possível, existe apenas gasto disperso.
Para o empresário que está avaliando se chegou a hora de testar mídia paga, o cálculo prático sugerido pelo consultor é simples: separar o piso técnico de R$ 10 mil por mês, garantir caixa para sustentar esse valor por pelo menos dois a três meses, e tratar o período como uma fase de descoberta, não de colheita. Só depois desse ciclo, com dado real sobre quem responde e como responde, faz sentido decidir se e como escalar o investimento.