Pequenas empresas não precisam de mais dados, precisam de critério, afirma LAQI

Sem equipe de inteligência de mercado, negócios de menor porte podem reduzir o custo de decisões erradas com fontes definidas e procedimentos simples de verificação, aponta o Latin American Quality Institute

Grandes corporações contam com departamentos inteiros dedicados a coletar, tratar e analisar dados. A maioria das pequenas e médias empresas não tem nada parecido. Ainda assim, elas tomam decisões todos os dias com base em informação que chega de fornecedores, de notícias, de pesquisas de mercado e, cada vez mais, de ferramentas de inteligência artificial. A diferença entre acertar e errar, nesse contexto, não está na quantidade de dados disponíveis, mas no critério usado para escolher em quais confiar.

Essa é a leitura do Latin American Quality Institute (LAQI), que trata do tema na Quality Magazine, publicação mensal do instituto disponível neste link. Para o instituto, estabelecer fontes confiáveis e procedimentos básicos de verificação é uma das formas mais acessíveis de evitar custos gerados por decisões equivocadas.

“A empresa não precisa necessariamente ter mais informação. Muitas vezes, precisa ter melhores critérios para selecionar a informação que utiliza. Em um mundo de excesso de conteúdo, saber descartar aquilo que não é confiável também é uma competência empresarial”, afirma Daniel Maximilian Da Costa, founder e CEO da LAQI.

O que o pequeno negócio pode fazer sem equipe de dados

O ponto de partida, segundo o executivo, é trocar a pergunta. Em vez de “quanta informação eu tenho”, a empresa deveria perguntar “quanto disso eu posso usar com segurança”.

“A pergunta estratégica não é quanto dado uma empresa consegue acumular, mas quanto desse dado pode ser considerado confiável e útil para uma decisão. Informação sem qualidade pode gerar uma falsa sensação de segurança”, pontua Da Costa.

Na prática, o critério pode ser resumido em três perguntas que qualquer gestor consegue aplicar, sem software ou equipe especializada: de onde vem a informação, como ela foi produzida e quando foi atualizada.

“A empresa precisa saber de onde vem a informação que utiliza. Qual é a fonte? Qual a metodologia? Quando aquele dado foi produzido ou atualizado? Essas perguntas são fundamentais quando uma decisão pode gerar impacto financeiro, operacional ou reputacional”, afirma o executivo.

Cuidado redobrado com respostas de IA

Para empresas pequenas, a inteligência artificial generativa se tornou um atalho para análises que antes exigiriam consultoria. O instituto não desaconselha o uso, mas alerta que esses sistemas constroem respostas a partir das informações disponíveis, e reproduzem com a mesma velocidade o dado bom e o dado ruim.

“Estamos vivendo uma transição em que a informação deixou de ser apenas um recurso de apoio e passou a fazer parte da infraestrutura das decisões empresariais. Se a informação utilizada não for confiável, a tecnologia apenas acelera uma decisão que pode estar errada”, diz Da Costa.

O mesmo vale para indicadores ambientais, sociais e de governança, que passaram a ser exigidos de fornecedores de todos os portes. Dados sem rastreabilidade prejudicam comparações e aumentam a exposição a riscos financeiros e de reputação, inclusive para quem fornece a informação.

Uma rotina, não um esforço extra

O executivo defende que a verificação entre na cultura de gestão como uma etapa comum, aplicada da mesma forma independentemente de quem está decidindo, e não como tarefa adicional que depende de tempo sobrando.

“A qualidade da informação precisa ser tratada como um processo. Não basta receber um dado e incorporá-lo automaticamente a uma análise. É preciso compreender sua origem, verificar sua consistência e avaliar se ele realmente serve ao objetivo para o qual será utilizado”, afirma.

Para a pequena empresa, a conclusão do instituto é direta: tomar decisões melhores com dados não exige montar uma área de análise. Exige definir de quais fontes se confia, checar o básico antes de usar e ter a disciplina de deixar de fora o que não passa nesse filtro.

| ÚLTIMAS NOTÍCIAS