Escolha do ponto é o maior risco de uma lavanderia self-service, e rede quer resolvê-lo antes da assinatura

Roberto Cruz e Danilo Santana - socios e fundadores Ta Suave

Ta Suave define a praça com dados de fluxo, densidade e concorrência e aplica raio de segurança entre unidades; formato de entrada parte de R$ 70 mil e 3 m²

Em lavanderia self-service, o erro mais caro não está na máquina nem na marca. Está no endereço. Uma unidade em rua sem fluxo, longe de moradia densa ou colada em um concorrente pode não se sustentar mesmo com operação enxuta. Por isso, a Ta Suave, rede de Joinville (SC), decidiu tratar a escolha do ponto como etapa de método, e não de intuição, antes de qualquer contrato.

A definição da praça usa dados de fluxo, entorno, densidade habitacional e concorrência. Só depois dessa análise o franqueado assina. “A gente reduz o seu maior risco antes de você assinar qualquer coisa”, diz Danilo Santana, sócio-diretor de operações da Ta Suave, marca de lavanderia self-service que faz parte do grupo Enigma.

Sem exclusividade ampla, com raio de segurança

A rede não concede exclusividade territorial ampla. Mantém liberdade para expansão orgânica segundo critérios próprios, mas aplica um raio de segurança entre unidades já existentes, justamente para evitar que dois pontos da mesma marca disputem o mesmo público.

Para o franqueado, isso significa que o cuidado com o ponto não termina na abertura da própria unidade: a rede também controla onde a próxima vai nascer.

Por que o ponto pesa tanto neste formato

O formato de entrada da Ta Suave usa um único conjunto de lavagem e secagem, em espaço a partir de 3 m², com investimento a partir de R$ 70 mil. A unidade opera em autoatendimento, sem equipe fixa, com gestão remota pelo próprio franqueado. A única exigência do local é ter instalação de esgoto e saneamento.

Sem funcionário e com custo fixo baixo, a operação depende quase inteiramente de o lugar certo trazer gente. Um ponto ruim não tem folha de pagamento para cortar nem horário para ajustar. Daí a ênfase da rede em validar a praça antes de crescer.

“O grande ganho aqui é que você começa enxuto. Você não aposta R$ 200 mil de cara”, afirma Santana. “Você prova o conceito, valida a praça e, se der certo, expande para o próximo modelo.”

Mercado com espaço para crescer

Cerca de 4% da população economicamente ativa brasileira usa lavanderia. Das mais de 27 mil lavanderias registradas no país, apenas cerca de 3 mil operam em self-service. O segmento cresceu 44% entre 2019 e 2024. Há demanda urbana em alta e muita cidade ainda sem oferta, o que torna a escolha do endereço ainda mais decisiva: o primeiro a ocupar um ponto bom leva vantagem.

A Enigma, controladora da Ta Suave, já opera a Laville, rede de lavanderias com mais de 100 unidades no país. Danilo Santana e Roberto Cruz respondem pela operação da Ta Suave.

Entrada aberta a quem nunca teve franquia

Grandes redes do setor lançaram versões compactas das próprias operações, mas em geral só as oferecem a franqueados que já têm uma unidade. A Ta Suave abre o formato compacto a quem está começando. Além do ponto validado, a marca aposta em experiência, com identidade visual, mesas de coworking e espaço kids.

“Não queremos vender franquia. Queremos vender crescimento previsível”, resume Santana. Para quem quer abrir uma lavanderia self-service, a primeira decisão a acertar continua sendo o endereço, e a rede quer participar dela.

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