Os ataques cibernéticos deixaram de ser uma preocupação exclusiva das grandes empresas e passaram a ocupar espaço nas discussões sobre economia, infraestrutura e segurança nacional. Em meio a esse cenário, o Projeto de Lei nº 4.752/2025, que institui o Marco Legal da Cibersegurança, vem estimulando um importante debate sobre o papel das empresas e do poder público na prevenção e resposta aos crimes digitais.
Um dos pontos centrais da proposta é a diferenciação entre cibersegurança e ciberdefesa — conceitos que costumam ser utilizados como sinônimos, mas que possuem funções distintas. O tema foi discutido recentemente durante audiência pública no Senado Federal, com a participação de Marta Schuh, diretora de Seguros Cibernéticos e Tecnológicos da Howden Brasil e autora de parecer técnico sobre o projeto.
Segundo a especialista, a cibersegurança está relacionada às medidas adotadas pelas organizações para proteger seus sistemas, dados e operações, envolvendo prevenção, gestão de riscos e capacidade de resposta a incidentes. Já a ciberdefesa é uma atribuição do Estado, responsável por coordenar ações quando ataques colocam em risco serviços essenciais ou infraestruturas estratégicas do país.
“Hoje, um ataque pode comprometer sistemas financeiros, redes de telecomunicações ou o fornecimento de energia. Nessas situações, a atuação das empresas é fundamental, mas há cenários que exigem uma coordenação nacional para proteger a população e garantir a continuidade dos serviços”, explica Marta Schuh.
A proposta em discussão também reforça a necessidade de que empresas tratem os riscos digitais como parte de sua estratégia de gestão. Isso inclui investir em mecanismos de prevenção, avaliar o nível de maturidade da segurança digital e adotar boas práticas de governança para reduzir vulnerabilidades.
Outro ponto destacado pela especialista é o papel do seguro cibernético, considerado uma ferramenta complementar na gestão de riscos. Além de oferecer suporte financeiro diante de incidentes, esse tipo de cobertura incentiva as organizações a fortalecerem seus processos internos e ampliarem sua capacidade de resposta frente às ameaças digitais.
Com a transformação digital acelerada e a crescente dependência da tecnologia em praticamente todos os setores da economia, especialistas apontam que a segurança da informação deixou de ser um tema restrito aos departamentos de tecnologia. Hoje, ela integra a agenda estratégica de empresas, governos e instituições, tornando-se um dos pilares para garantir a continuidade dos negócios e a proteção da sociedade em um ambiente cada vez mais conectado.
