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Vale a pena a academia investir em IA? Dados sobre retorno ajudam a responder

Pesquisa com empresas de diversos setores mostra distância entre usar IA e ver efeito no lucro; para academias, base de dados organizada é o ponto de partida

Pesquisa com empresas de diversos setores mostra distância entre usar IA e ver efeito no lucro; para academias, base de dados organizada é o ponto de partida

A decisão de investir em IA (inteligência artificial) chegou à mesa de donos e gestores de academias. A dúvida, para quem responde pelo caixa, é menos sobre a tecnologia em si e mais sobre o retorno. Na avaliação da Pacto Soluções, empresa de tecnologia para gestão de academias, o resultado depende de como a operação organiza seus dados antes e depois da adoção.

O que dizem os dados gerais sobre retorno da IA?

Uma referência vem da pesquisa The State of AI 2026, da consultoria McKinsey, feita com empresas de diferentes setores da economia, e não especificamente com academias. No levantamento, 80% dos entrevistados afirmam que a IA melhorou a própria produtividade, mas apenas 37% relatam efeito sobre o EBIT (lucro antes de juros e impostos) de suas empresas, patamar praticamente igual ao do ano anterior.

O mesmo estudo identifica um grupo de cerca de 6% das organizações que se destaca. Essas empresas redesenharam fluxos de trabalho em torno da IA, em vez de apenas acrescentá-la aos processos existentes. Para o gestor de academia, a leitura é direta: comprar a ferramenta não basta, e o ganho aparece quando a rotina muda junto.

Onde a IA pode pesar no resultado de uma academia?

A Pacto aponta frentes que afetam diretamente receita e custo. Modelos de pontuação de risco cruzam frequência, engajamento e histórico de pagamento para indicar alunos com mais chance de cancelar. A precificação dinâmica usa a ocupação por horário para equilibrar pico e ociosidade sem derrubar o ticket médio. Na área comercial, os dados permitem priorizar os contatos com maior probabilidade de matrícula e acompanhar o desempenho de cada consultor. Há ainda a personalização da jornada, com mensagens e ofertas ajustadas ao perfil do aluno.

Na leitura da empresa, a evasão  é um dos fatores que mais pressionam as margens das operações, porque cada cancelamento retira receita recorrente e exige novo investimento em captação.

O que a academia precisa ter antes de investir?

Um histórico organizado de frequência, contratos, pagamentos e vendas. Sem esse registro, os algoritmos têm pouco sobre o que trabalhar e o investimento dificilmente se converte em resultado.

“A base de dados estruturada deixou de ser um diferencial operacional para se tornar um ativo de previsibilidade de receita”, afirma a Pacto. Segundo a empresa, academias com gestão orientada por dados conseguem antecipar oscilações de caixa e tomar decisões com menor margem de erro.

Para operações com mais de uma unidade, a avaliação inclui a gestão de redes de academias, em que o retorno precisa ser medido unidade a unidade.

Qual é o contexto do setor para essa decisão?

O mercado cresce, mas com pouco espaço para repasse de custos. De acordo com o relatório global de 2026 da HFA (Health & Fitness Association), com base em dados da ACAD Brasil (Associação Brasileira de Academias), a receita das academias brasileiras passou de US$ 0,99 bilhão em 2020 para US$ 2,97 bilhões em 2024. Ao mesmo tempo, a mensalidade de baixo custo pode chegar a 10% do salário mínimo no país, e 2026 começou com inflação perto de 5% e juros altos.

No Brasil, a adoção ainda é inicial: a pesquisa TIC Empresas 2025, do Cetic.br (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação), estima que 17% das empresas usaram algum tipo de IA em 2025. A Pacto aponta os próximos 12 a 24 meses como janela decisiva para a profissionalização da gestão fitness. Para a academia que avalia o investimento, organizar os dados é o primeiro passo para que a IA apareça no resultado.