Recuperação de pipeline após trimestre fraco segue prazo em camadas

Dan Freitas, sócio da Nexus Growth, consultoria que já geriu mais de R$ 300 milhões.

Consultor que já geriu mais de R$ 300 milhões em mídia paga explica por que a recuperação de pipeline segue prazo em camadas

Empresas que fecham um trimestre abaixo da meta e decidem investir em ajuste de mídia paga costumam medir o resultado da forma errada: olhando o volume de vendas do próprio mês, sem considerar que o pipeline comercial responde em um ritmo diferente do investimento em anúncio.

Dan Freitas, sócio da Nexus Growth, consultoria que já geriu mais de R$ 300 milhões em investimentos de mídia paga para empresas como Conta Simples, Hand Talk e V4, descreve essa recuperação como um processo em camadas, cada uma com um indicador próprio.

A camada que devolve o dado à máquina

Depois da correção técnica inicial, a etapa seguinte integra o CRM à plataforma de anúncio, para que marketing e comercial fechem juntos uma definição objetiva de lead aproveitável, e as conversões que acontecem fora do ambiente digital, como reunião e proposta fechada, voltem a informar o sistema sobre quais contatos realmente viraram negócio.

Um efeito comum nessa fase costuma ser mal interpretado: o volume de leads cai. Segundo o consultor, essa queda é sinal de que a máquina está mudando de alvo, não de que a campanha piorou. O indicador que importa nesse momento é a proporção de contatos que o time comercial aceita, e essa proporção precisa ser lida mês a mês.

Um caso citado pela consultoria ilustra essa leitura por coorte. No banco digital Jota, a simplificação das campanhas e o acompanhamento por coorte, somados a testes acelerados de público e criativo, derrubaram o custo de aquisição de mais de R$ 30 para R$ 8, uma queda de 73%, permitindo escalar o investimento mensal de R$ 40 mil para mais de R$ 150 mil.

Por que o mês errado pune o investimento certo

Em ciclos de venda mais longos, comuns em operações B2B e no agronegócio, a receita de um mês nasce das ações de mídia paga de dois ou três meses antes. Cobrar resultado do mês em que a verba foi investida, e não do mês em que a venda de fato nasce, penaliza justamente a fase do investimento que está sustentando o trimestre seguinte.

“Existe recuperação que é técnica e recuperação que é estratégica. A técnica cabe em noventa dias. A estratégica, proposta de valor, posicionamento, demanda, não tem cronograma de mídia que resolva. A pior coisa que um consultor pode fazer é vender a segunda com o prazo da primeira”, diz Dan Freitas.

A conta que fecha o ciclo

Só depois que o indicador de aceite comercial mostra melhora consistente é que faz sentido fechar a conta final: o custo de aquisição por canal contra a margem real do negócio. Essa conta é que define quanto cada canal pode custar e onde a verba adicional deve entrar, em degraus controlados, sem jogar a campanha de volta à fase de aprendizado.

Para gestores que decidem investir em recuperação de pipeline depois de um trimestre fraco, a recomendação prática é acompanhar o indicador de aceite comercial mês a mês, respeitando o intervalo entre o investimento em mídia e a receita que ele gera, antes de julgar se a operação está no caminho certo.

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