Navio com mais de 7 mil carros elétricos e híbridos desembarca em Itajaí em operação recorde

Projeção conceitual de unidade da rede Rota BR 101: estação de recarga rápida com carregadores DC, cobertura fotovoltaica e conveniência integrada ao longo do corredor da BR-101.

Porto catarinense bate recorde de movimentação automotiva em 2026 e mostra por onde entra boa parte da frota eletrificada vendida em todo o país

Um navio com mais de 7 mil veículos elétricos e híbridos atracou no porto de Itajaí, em Santa Catarina, em junho de 2026. O BYD Changsha desembarcou 7.216 unidades, a maior operação automotiva do terminal no ano, que somou 15.496 veículos movimentados apenas no primeiro semestre. É por portos como esse que boa parte da frota eletrificada vendida no Brasil, incluindo em regiões distantes do litoral, chega ao país.

O volume acompanha o ritmo acelerado das vendas. O Brasil emplacou 215.023 veículos eletrificados no primeiro semestre de 2026, alta de 125% sobre o mesmo período de 2025, segundo a ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico). São Paulo concentrou 28,7% das vendas do semestre, mas o crescimento aparece em praticamente todo o país, inclusive fora do eixo litorâneo por onde os carros desembarcam.

Depois de chegar pelo porto, a frota roda por um corredor específico: a BR-101, rodovia de 4.658 quilômetros que conecta 12 capitais entre São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Espírito Santo. É nesse trajeto que a Rota BR 101 estrutura uma rede própria de eletropostos, com uma primeira etapa de 20 unidades, 100 carregadores DC de 120 kW, 200 conectores e 12 MW de potência nominal instalada.

“Começamos onde a frota está e onde a demanda já sustenta operação. A BR-101 liga os maiores mercados do carro elétrico do país, e é por eles que a rede entra. O litoral entre a Bahia e o Espírito Santo é a fronteira que a expansão alcança”, afirma Victor Rabelo, sócio fundador e diretor de expansão da Rota BR 101.

A infraestrutura de recarga, no entanto, segue defasada em relação ao volume que chega pelos portos e se espalha pelas rodovias. O país tinha 25.429 eletropostos públicos e semipúblicos em junho, uma proporção de 19,9 veículos plug-in por ponto de recarga, quase o dobro da referência de 10 para 1 considerada ideal pelo setor, segundo a ABVE e a Tupi Mobilidade. Estudo da C40 Cities com a IFC estima em cerca de R$ 5 bilhões o investimento necessário em infraestrutura de recarga no Brasil até 2035, à medida que o volume desembarcado nos portos brasileiros continua batendo recordes ano após ano.

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