Especialista alerta para riscos do uso excessivo de fones de ouvido entre jovens.

Os fones de ouvido fazem parte da rotina de milhões de pessoas, seja para ouvir música, acompanhar podcasts, assistir a vídeos ou participar de reuniões online. No entanto, o uso inadequado desse acessório tem despertado preocupação entre especialistas. Um estudo publicado pela revista científica BMJ Global Health aponta que mais de 1 bilhão de jovens entre 12 e 34 anos podem desenvolver problemas auditivos em decorrência da exposição prolongada a sons em volumes elevados.

Além da poluição sonora presente nas grandes cidades, o hábito de utilizar fones de ouvido por muitas horas e em intensidade acima do recomendado pode provocar danos irreversíveis à audição. Entre os principais sintomas estão zumbidos, dores nos ouvidos, dificuldade para compreender conversas e perda auditiva progressiva.

O otorrinolaringologista Dr. Guilherme Horbilon, que atende no Órion Complex, em Goiânia, explica que o problema não está no uso dos fones em si, mas na combinação entre volume elevado e tempo excessivo de exposição.

“Se uma pessoa permanece exposta a um som com intensidade de aproximadamente 92 decibéis por mais de 30 minutos por dia, o risco de desenvolver danos permanentes ao sistema auditivo é bastante elevado”, alerta o especialista.

Segundo o médico, os efeitos podem surgir de forma imediata ou ao longo dos anos. Exposições intensas podem provocar perda auditiva súbita e zumbidos, enquanto o contato frequente com sons altos favorece um desgaste gradual das células responsáveis pela audição, comprometendo de maneira definitiva a capacidade de ouvir.

“O uso prolongado de fones de ouvido tem provocado perdas auditivas semelhantes às observadas em trabalhadores expostos diariamente ao ruído intenso de máquinas industriais”, destaca Horbilon.

Como proteger a audição

Para reduzir os riscos, os especialistas recomendam seguir a chamada regra dos 60%, mantendo o volume em, no máximo, 60% da capacidade do aparelho. Outra orientação importante é fazer pausas regulares, retirando os fones por alguns minutos a cada duas horas de uso contínuo.

O tipo de equipamento também faz diferença. Os modelos que envolvem completamente as orelhas e oferecem isolamento dos ruídos externos permitem ouvir músicas em volumes menores, reduzindo a necessidade de aumentar o som para compensar o barulho do ambiente.

O valor do silêncio

Os prejuízos da exposição constante ao ruído vão além da perda auditiva. Estudos relacionam ambientes excessivamente barulhentos ao aumento do estresse, da irritabilidade, da pressão arterial e das dificuldades de concentração.

Por isso, reservar momentos de silêncio durante o dia também é uma recomendação médica.

“O silêncio permite que o sistema auditivo descanse e favorece uma maior conexão com a própria consciência. Além de proteger a audição, esses momentos ajudam na redução do estresse e contribuem para a saúde mental”, explica o especialista.

Em uma rotina marcada por notificações, trânsito, música e estímulos constantes, cuidar da saúde auditiva tornou-se um hábito tão importante quanto proteger a visão ou manter uma alimentação equilibrada. Pequenas mudanças no dia a dia, como reduzir o volume dos fones e respeitar períodos de descanso, podem fazer toda a diferença para preservar a audição ao longo da vida.

| ÚLTIMAS NOTÍCIAS